Começa reunião que definirá avanço sanitário do Brasil

Uma delegação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) participará da 80ª Sessão Geral da Assembléia Mundial de Delegados da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, sigla em inglês), de 20 a 25 de maio, em Paris. Além de promover a discussão de temas relevantes para a defesa sanitária animal do planeta, durante a reunião deverá ser anunciada a mudança da classificação do Brasil para Encefalopatia Espongiforme Bovina – EEB (conhecida vulgarmente como doença da Vaca Louca) do atual risco controlado para insignificante, que é a melhor classificação de risco em relação à doença. A divulgação está marcada para a próxima quinta-feira, 24 de maio.

O parecer favorável já havia sido indicado pela Comissão Científica para Enfermidades dos Animais e pelo grupo ad hoc EEB da OIE, mas ainda dependia de um período de consulta perante os 178 países-membros da OIE. Durante 60 dias, os delegados da entidade puderam solicitar informações complementares e fazer questionamentos à OIE, o que não ocorreu.

Com a mudança, o Brasil passará a fazer parte de um grupo seleto de 15 países dentre todos os integrantes da OIE. Apesar de nunca ter registrado casos de Vaca Louca, a alteração favorecerá a retomada do mercado de tripas para a União Europeia, a exportação de animais vivos e de carne in natura com osso para países que hoje vetam a entrada de produtos brasileiros, com o argumento de o país estar classificado como risco controlado.

Tendo como tema técnico principal “Experiências e papéis nacionais e internacionais na avaliação passada e futura de Um Mundo, Uma Saúde”, o encontro abordará assuntos como a adoção de novas normas internacionais aplicáveis à prevenção e controle das enfermidades dos animais, bem-estar animal, comércio internacional de animais e produtos de origem animal e eleições para comissões regionais e comissões especializadas da OIE.

O Brasil, país membro fundador da entidade, participará das discussões e defenderá os interesses nacionais e regionais relacionados à política de sanidade animal. A comitiva brasileira será composta pelo secretário de Defesa Agropecuária, Enio Marques; pelo diretor do Departamento de Sanidade Animal (DSA), Guilherme Marques; pelo coordenador-geral de Apoio Laboratorial (CGAL), Jorge Caetano Júnior, e pelo assistente do gabinete do DSA, José Ricardo Lôbo.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

SOJA REGISTRA PREÇO RECORD EM PARANAGUÁ

21/05
SÃO PAULO – A soja no porto de Paranaguá fechou a semana passada com o maior valor nominal de toda a série histórica analisada pelo indicador Cepea/Esalq, cotada a 65,11 reais por saca de 60 kg na sexta-feira (18).

O índice, que começou a ser elaborado em 2006, serve como referência para o grão estocado nos armazéns do corredor de exportação do porto paranaense, um dos principais para embarque de soja do Brasil.

A demanda internacional, que segue aquecida, em conjunto com a quebra de safra na América do Sul e as incertezas do mercado quanto à oferta de soja na próxima safra dos Estados Unidos são apontados por especialistas como as causas para os preços em elevação.

“O mercado está muito apreensivo quanto à real disponibilidade de produto para os próximos meses, com dúvidas sobre a safra do hemisfério norte. O mercado chinês está com apetite, com compras no mercado físico no Brasil e no mercado futuro nos Estados Unidos,” disse Lucílio Alves, pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Universidade de São Paulo.

“O mercado de carnes no Brasil e no mundo está em ritmo bom, o que significa demanda por farelo de soja,” acrescentou ele.

No entanto, Alves ressalta que os patamares atuais da soja no Brasil não fazem frente aos preços registrados no Paraná em março de 2004, de 51,81 reais – se fosse aplicada a correção da inflação para o valor daquele ano, uma saca do grão estaria valendo hoje a 81,16 reais.

O pico dos preços internos em 2004 ocorreu porque naquele momento que a China entrou no mercado comprando mais, deslocando a demanda, pegando de surpresa os fornecedores.

Em relação à tendência para os próximos meses, o pesquisador do Cepea afirma que até a chegada da safra do hemisfério norte não há fatores de pressão sobre preços.

Os contratos a termo fechados em Paranaguá, analisados pelo Cepea, estão na faixa de 555 dólares por tonelada até agosto. “Só há uma queda de agosto para setembro (nesses contratos), de 2,8 por cento. Mas naquele momento já haverá pouca soja para ser vendida no Brasil,” completou Lucílio Alves.

(Reportagem Gustavo Bonato)

Reuters

Ovinocultura na mira de investidores

O Brasil concentra um rebanho de 16 milhões de ovinos, segundo o IBGE, quantidade insuficiente para atender o consumo interno. Até pouco tempo, os produtores enfrentavam amarga concorrência externa, principalmente do Uruguai, de onde era importada mais de 80% da carne de cordeiro consumida no Brasil. Depois que conquistou mercados de melhor remuneração, o país vizinho redirecionou grande parte de sua produção, abrindo uma enorme lacuna no mercado brasileiro.

“O reflexo disso pode ser facilmente observado nos preços pagos pela indústria em todo o País. Os produtores estão experimentando preços nunca vistos antes no mercado, o que deve estimular a produção em escala e a organização da cadeia produtiva”, afirma Lucas Heymeyer, gerente de vendas da Dorper Campo Verde, de Jarinu (SP).

Para se ter ideia do potencial da ovinocultura, o Brasil precisaria chegar a 100 milhões de cabeças para tentar se aproximar do que é hoje a bovinocultura de corte, produção que sustentaria um consumo de forma regular o ano todo, sem sobressaltos, como informa Paulo Schwab, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO).

Com vistas neste cenário, produtores de todo País estão tentando se estruturar para atender a grande demanda. No Amazonas, por exemplo, projetos como o da Amazônia Ovinos, do criador Demilço Valdemar Vivian, mais conhecido como Alemão, em Manaus (AM), estão investindo na ampliação e na qualidade do rebanho. “Quando o Uruguai dominava a maior parte desse mercado, tínhamos de ser competitivos, algo impraticável pela diferença dos custos de produção entre os dois países. O cenário está se modificando aos poucos, inclusive aqui no Amazonas, devido à grande demanda de consumidores”, afirma Renato Rigoni Júnior, médico-veterinário e gerente da propriedade.

Em um primeiro instante, a Amazônia Ovinos pretende abocanhar uma fatia desse mercado com produção in natura, tendo em vista que toda a carne que vem de fora é congelada. “Estamos montando um boa base genética, com foco na fertilidade, habilidade materna e precocidade, para fazer bons produtos de origem amazonense. A carne de cordeiro tem excelente aceitação, principalmente, por causa da migração de muitos nordestinos para o Estado, que tem o habito de consumir cordeiro e seus subprodutos, como a famosa buchada. Temos de oferecer carne resfriada, o mais natural possível, algo impossível dos nossos vizinhos fornecerem”, explica.

A propriedade concentra um rebanho de 900 animais principalmente da raça Santa Inês, projeto que deve se estabilizar com 1.500 matrizes até o final de 2012.

Buscam constantemente por animais melhoradores e investem no manejo sanitário do rebanho para evitar possíveis enfermidades, como a resistência à verminose e a pododermatite, doença infecciosa e contagiosa que afeta os cascos dos animais. Causa estresse e emagrecimento progressivo. “Também fornecemos material genético a pequenos produtores para que consigam produzir com o mesmo padrão de qualidade. Além disso, almejamos o mercado externo, com negociações na Venezuela e Colômbia, pela logística privilegiada, com acesso rodoviário pelo Amazonas e Roraima”, explica.

A ovinocultura é uma ótima opção de investimento no Estado, principalmente devido às novas leis ambientais que determinam a preservação de 80% das áreas. As áreas destinadas à atividade são pequenas, onde não há incentivo para a bovinocultura de corte. Em breve a região contará com um frigorífico especializado no abate de ovinos, que espera por aprovação de verbas.

Fonte: Agrolink adaptada pela ABSI – Associção Brasileira de Santa Inês.

Melhoradores de desempenho na alimentação são proibidos.

O uso das substâncias antimicrobianas espiramicina e eritromicina, com finalidade de aditivo zootécnico melhorador de desempenho na alimentação animal, foi proibido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A determinação está na Instrução Normativa nº 14, publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira, 18 de maio.

A decisão faz parte das ações desenvolvidas pelo Mapa para garantir o uso responsável e prudente de antimicrobianos em animais produtores de alimento e atualizar os estudos técnico-científicos sobre aditivos melhoradores de desempenho utilizados em animais. O trabalho vem sendo desenvolvido pelo Grupo de Trabalho do Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários (DFIP) desde 2003.

O comitê sugeriu a descontinuidade do uso de espiramicina e eritromicina como aditivo melhorador de desempenho por preocupações relacionadas à saúde pública. Para essas substâncias, é considerada prioritária a necessidade de análises de risco e implementação de medidas para prevenção do desenvolvimento de resistência microbiana, conforme as recomendações dos organismos de referência dos quais o Brasil é membro, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, sigla em inglês) e o Codex Alimentarius.

Com as novas regras, os registros dos aditivos e produtos destinados à alimentação animal que contenham as substâncias antimicrobianas espiramicina e eritromicina deverão ser cancelados no prazo de 30 dias, a partir de hoje. A manutenção dos registros dos produtos destinados à alimentação animal, quando for do interesse das empresas detentoras dos registros, é permitida desde que seja alterada a sua composição, com a substituição das substâncias antimicrobianas espiramicina e eritromicina por outro aditivo melhorador de desempenho à base de antimicrobianos, em conformidade com a legislação vigente.

As informações são da equipe AgriPoint.

Governo baiano e BNB avançam nas conversas para liberação de crédito emergencial

Os agricultores familiares do Estado mais atingido pela estiagem contam a partir de quarta-feira (9) com mais uma opção para enfrentamento da pior seca dos últimos 30 anos. A abertura e a liberação de crédito emergencial com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), coordenado pelo Banco do Nordeste (BNB), anunciado pela presidente Dilma Rousseff, em Aracaju (SE), avançou a partir de conversas entre o governo da Bahia, capitaneada pelo secretário da Agricultura, Eduardo Salles, e a superintendência e direção do Banco do Nordeste. Com juros de 1% ao ano para pequenos (até R$12 mil), e de até 3,5% ao ano para os médios e grandes (de R$12 mil a R$100 mil), os recursos serão utilizados como capital de giro, investimento e custeio para todas as despesas inerentes à agricultura e agropecuária – demandas urgentes e comuns aos produtores dos municípios que decretaram estado de emergência.

Os agricultores familiares com histórico de adimplência terão 40% sobre cada parcela paga até a data de vencimento. “A partir de quarta-feira, os agropecuaristas devem procurar o BNB”, explicou o superintendente Nilo Meira. De acordo com informações do BNB, os produtores inseridos no Pronaf B, poderão receber até R$ 2,5 mil e terão o auxílio dos agentes de desenvolvimento ou assessores do AgroAmigo para apresentação da proposta, podendo sacar os recursos imediatamente. Os demais grupos do Pronaf poderão receber entre R$ 2,5 mil e R$ 12 mil, após seguirem as mesmas recomendações, e terão as propostas aprovadas até 48 horas pelo agente financeiro, também com desembolso imediato. Em relação a valores entre R$ 12 mil e R$ 100 mil, o banco tem o prazo de até dez dias para liberação do recurso emergencial.

Todos os beneficiários terão até oito anos para pagar com três anos de carência. 2 Segundo o secretário Eduardo Salles, o pleito para prorrogação das dívidas e a criação de um crédito emergencial foi apresentado em Brasília, durante audiência pública, em que na condição de presidente do Conseagri, juntamente com os demais secretários de Agricultura dos estados do Nordeste, foi cobrado a disponibilização destas linhas de crédito. Na semana passada, o governador Jaques Wagner e o secretário da Casa Civil, Rui Costa, foram para Brasília para conversar com o governo federal, buscando dar celeridade na liberação dos recursos. “Não adiantava só prorrogar as dívidas, era necessário criar um crédito emergencial.

O objetivo é que as medidas anunciadas pelos governos estadual e federal cheguem na ponta. O agropecuarista precisar tomar conhecimento de como alcançar efetivamente a operacionalidade das ações, minimizando seus prejuízos e permitindo uma melhor convivência com os efeitos da seca”, completou Salles. Renegociação de dívidas Com o objetivo de renegociar e prorrogar o pagamento das parcelas (vencidas e vincendas), compreendidas no período de 1º de fevereiro de 2012 até 1º de janeiro de 2013, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, no último dia 12 de abril, algumas modificações na forma de pagamento das dívidas de produtores rurais que tiveram perda de renda em função da estiagem na região Nordeste, através das resoluções nº 4.066 e nº 4.067.

O pagamento destina-se aos agricultores familiares vinculados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), além de grandes, médios, pequenos e miniprodutores. O empreendimento deve estar localizado em município da região Nordeste que tenha decretado situação de emergência ou estado de calamidade pública após 1º de fevereiro de 2012, reconhecida pelo governo federal. As operações não devem estar amparadas pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) ou por qualquer outra modalidade de seguro agropecuário.

O prazo do reembolso das parcelas (vencidas e vincendas) será realizado até 2 de janeiro de 2013, devendo, portanto, a formalização da renegociação ocorrer antes desta data. Desde que a renegociação/prorrogação ocorra até 31 de março de 2013, os mutuários que comprovarem perdas mediante laudo técnico superiores a 30% na renda terão condições diferenciadas de reembolso das parcelas, a exemplo de até cinco parcelas anuais, com vencimento da primeira para até um ano após formalização da renegociação do custeio da safra 2011/2012.

Confira outras regras de reembolso:

– custeio das safras anteriores a 2011/2012 e investimento (exceto BNDES/FINAME) para até 1 (um) ano após o vencimento da última parcela vincenda constante do atual cronograma de reembolso da operação;

– investimento com recursos da FINAME/BNDES incorporação ao saldo devedor e redistribuição nas parcelas restantes (vincendas) apenas da(s) parcela(s) de principal das prestações acima ou prorrogação para até 12 meses após o vencimento da última parcela vincenda constante do atual cronograma de reembolso da operação.

– Manutenção dos encargos de normalidade pactuados para as parcelas com vencimentos fixados para o período de 01/02/2012 até 01/01/2013.

– E ficam dispensados, para efeito da concessão do prazo adicional (pagamento até 02/01/2013), a análise caso a caso da comprovação de perdas e da impossibilidade de pagamento do mutuário e o cumprimento das exigências previstas no Manual de Crédito Rural.

Fonte:
Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri)

Produtor recorre à silagem para alimentar o rebanho

Várzea Alegre. A seca que castiga o sertão do Ceará provocou elevadas perdas no plantio de grãos e escassez da pastagem natural. As roças de capim que dependiam da chuva para produzir estão secas.

Desse modo, os criadores já começam enfrentar dificuldades para alimentar o rebanho bovino e esse quadro deve se agravar a partir do próximo mês. Uma das alternativas defendidas por técnicos do setor agropecuário para enfrentar o período de estiagem é o uso de silos para armazenar o capim verde.

A técnica de silagem foi demonstrada recentemente na Fazenda Paraíso dos Cavalos, na zona rural deste Município. O evento contou com a presença de cerca de 30 participantes, dentre agricultores, pecuaristas, técnicos, estudantes e parceiros.

Foram demonstradas as técnicas adequadas e eficazes para o processo de uma boa silagem, como suporte forrageiro para o fornecimento aos animais, principalmente para enfrentar o período de seca que o Estado enfrenta este ano.

Dia Especial

O Dia Especial sobre Silagem foi promovido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Agrário, Econômico e Meio Ambiente, em parceria com o escritório local da Ematerce, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Várzea Alegre, e a Associação dos Produtores de Leite de Várzea Alegre, na Fazenda Paraíso dos Cavalos, no Distrito de Naraniú.

O proprietário, Luiz Luciano e Silva, produtor de bovinos, ovinos e equinos, disse que há algum tempo começou a fazer silos e desde então enfrenta com segurança o período de pastagem nativa. “A seca é ruim para todos, mas para mim não traz muitos transtornos porque os silos garantem a alimentação do rebanho”, frisou. “Sou um incentivador dessa técnica que é viável e barata”.

Em consequência da seca, muitos criadores estão vendendo parte do rebanho, transferindo os animais para outras áreas e comprando forragem. Essa é a saída para muitos produtores. “A situação vai se agravar nos próximos meses”, disse o agrônomo do escritório da Ematerce em Iguatu, Jaime Uchoa. “A seca agora que está começando”.

Experiência

A experiência feita na Fazenda Paraíso dos Cavalos, também vem sendo aplicada em localidades do distrito de Canindezinho, no Sítio Chico, e deverá ser estendida para outras localidades. Para execução desse trabalho, segundo o técnico em Agropecuária da Secretaria Municipal de Agricultura, Estevão Silva, as instituições parceiras estarão orientando e incentivando os criadores para aderirem à produção de silos de superfície. “É uma forma de se preparar melhor para alimentar os animais, visando diminuir as consequências da seca”, salientou.

Nos últimos cinco anos, aumentou o número de criadores que passaram a fazer silos a partir do cultivo de capim no período chuvoso. Ainda é um número reduzido, mas comprova a tendência de crescimento. “No passado, na época do Projeto Sertanejo, houve incentivo e financiamento do Banco do Nordeste para a construção de silos de alvenaria, o tipo trincheira, que está em desuso”, explicou Uchoa. “Muitos construíram e não usaram porque acham que sempre teremos chuva e essa mentalidade dos criadores traz dificuldades no período de seca”.

Hoje em dia, o silo mais usado é o de superfície que é simples e mais barato. Após preparação do terreno e de colocação de uma lona plástica, os grãos, folhas e talos de sorgo, milho e capim triturados são colocados em um monte que será revestido pela lona. “O segredo de um bom silo é ser bem compactado para evitar a entrada de ar porque a fermentação é anaeróbica”, explicou Uchoa. “Um silo pode durar dez anos”.

A maior dificuldade para os produtores é dispor de uma máquina para colher e triturar o plantio, que é colocado em um reboque e levado para o local do silo na própria área de produção. O criador Carlos Queiroz, em Iguatu, que é um dos maiores produtores de silagem em Iguatu, lembrou que em um passado recente, eram somente três ou quatro produtores que faziam silos, mas hoje já chegam a 50. “É uma alternativa viável para enfrentar um período de seca”, afirmou.

Em 2012, Queiroz cultivou 200 ha de milho, 250 ha de sorgo granífero e 50 ha de sorgo forrageiro. O quilo da ração verde ou da silagem é vendida por R$ 0,20, O preço praticamente dobrou de preço por causa da seca e aumento da procura. “Os criadores precisam acreditar na viabilidade do cultivo de sorgo forrageiro e de outras capineiras”, disse Uchoa.

Neste ano, a safra do grão terá uma queda média de 70%, na região Centro-Sul, de acordo com dados preliminares da comissão local de avaliação da perda da safra agrícola.

O secretário de Agricultura do Município, Valdeci Ferreira, disse que os criadores precisam investir mais na produção de silos. “Na nossa região, não dá para ficar esperando por um bom inverno”, disse. “É preciso ter reserva alimentar para o gado”.

Fonte: Diário do Nordeste

Portaria amplia venda de milho por produtor

O governo federal autorizou a ampliação da compra mensal, por produtor, de 6 toneladas (t) de milho para 27 (t), através da venda direta, denominada Venda Balcão. No caso das cooperativas, a cota passou 6 mil para 27 mil toneladas. Em ambos os casos, a operacionalização se dará pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) até o limite de 200 mil toneladas. As autorizações foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU), nesta quarta-feira, 16 de maio, e teve o aval do Mapa e dos ministérios da Fazenda e Planejamento.

O produto será vendido a R$ 21,00 a saca de 60kg. O Mapa informa, em comum acordo com os ministérios da Fazenda e do Planejamento, que a quantidade de 200 mil toneladas de milho estimada para a Venda Balcão poderá ser ampliada à medida que houver necessidade. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Caio Rocha, explicou que a medida é um esforço do governo para garantir o abastecimento do produto no mercado. “É uma forma de ampararmos o produtor e a cadeia produtiva do milho”, enfatizou.

fonte:  AgriPoint.

Câmara Setorial debate na Embrapa pesquisas em benefício de cadeias produtivas

Uma agenda de ações de pesquisa alinhada com as demandas estratégicas das cadeias produtivas da caprinocultura e da ovinocultura. Este foi o destaque nos debates da reunião da Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, realizada na sede da Embrapa Caprinos e Ovinos, em Sobral (CE), nesta quinta-feira (17). Em pauta, além da agenda de P&D da Unidade, projetos e programas com participação da Embrapa voltados para beneficiar o setor produtivo: a Rede de Transferência de Tecnologia e Inovação para a Caprinocultura e Ovinocultura Brasileira (RICO), o Estudo Zoosanitário da Caprinocultura e da Ovinocultura Tropical e a Rota do Cordeiro.

Na apresentação da RICO, o pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos Vinícius Guimarães destacou que o projeto contempla várias ações da Agenda Estratégica 2010-2015 do Ministério para as cadeias de ovinos e caprinos. Entre elas, o mapeamento estatístico das cadeias (com dados de rebanho, produção e mercado), a capacitação de atores de assistência técnica e o estímulo à governança das cadeias. Ele ressaltou o papel do Centro de Inteligência, cuja criação é uma das metas do projeto. “Teremos capacidade de indicar dados sobre rebanhos, preços de leite e carne, onde as tecnologias estão sendo utilizadas”, disse ele.

Para o coordenador da Câmara Setorial, Paulo Márcio Araújo, a RICO terá um potencial de atender à demanda por assistência técnica, extensão e capacitação, que segundo ele é uma das maiores necessidades das cadeias produtivas. “Trata-se de um trabalho fundamental, que pode não dar resultado daqui a seis meses, um ano, mas que a longo prazo dará frutos”, avaliou ele.

A pesquisadora Lauana Barbosa conduziu a apresentação sobre o Estudo Zoosanitário, projeto iniciado em 2009, que está mapeando as principais doenças de pequenos ruminantes em nove estados brasileiros. “A escassez de dados epidemiológicos e o desconhecimento do perfil zoosanitário dos rebanhos brasileiros estava nos privando de tomar certas decisões sobre sanidade animal”, explicou Lauana.

De acordo com a pesquisadora, o Estudo tem encontrado também gargalos, como a baixa capacidade para diagnóstico de doenças em pequenos ruminantes no Brasil, o custo elevado de exames e os casos em que os produtores conhecem as tecnologias para prevenção e combate às enfermidades, mas não as adotam na prática. “Temos que trazer isso à discussão: se os motivos são culturais, falta de mão de obra, ou outros”, frisou ela.

O presidente da Câmara Setorial, Edilson Maia, afirmou que a entidade terá o compromisso de apoiar os esforços na área de sanidade animal. “Todos apoiarão esta demanda”, disse ele. Já o chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos, Evandro Holanda Júnior, propôs a montagem de um grupo de trabalho para avaliar propostas como a instalação de uma rede de laboratórios para diagnóstico, com participação de Estado e iniciativa privada.

O debate sobre as ações da Rota do Cordeiro no Ceará, primeiro estado a implantar o programa, foi conduzido pelo pesquisador Octávio Morais e por Antônio Nunes, da Coordenadoria de Apoio às Cadeias Produtivas da Pecuária da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (DAS) do Estado do Ceará. O Rota do Cordeiro compõe o programa Rotas da Integração, do Ministério da Integração Nacional e propõe a criação de núcleos de inovação tecnológica para ovinocultura de corte em seis estados brasileiros.

Cada núcleo terá ações de melhoramento genético animal, fábrica de ração, centro de produção intensiva de forragens e centro de terminação, que receberá animais de rebanhos de cada região. Segundo Octávio, não há intenção de se trabalhar com raças específicas, mas com os animais já existentes em cada região, já adaptados ao ambiente. O programa pretende aperfeiçoar os modelos de produção, garantindo aos produtores melhores oportunidades de inserção no mercado.

Evandro Holanda ressaltou que a proposta do Rota do Cordeiro tem o desafio de mobilizar parceiros para seu funcionamento. Segundo ele, o fato do convênio do Ministério da Integração se efetivar com as secretarias estaduais se dá pelo fato dessas instituições garantirem programas de compras, assistência técnica, projetos de recursos hídricos. “Há um desafio para a governança local, muito a ser trabalhado pelos agentes públicos e pelo setor produtivo”, afirmou ele.

A reunião da Câmara Setorial contou também com participação de autoridades como o secretário adjunto de Agricultura e Pecuária de Alagoas, José Marinho, que trouxe à Embrapa uma proposta de parceria com o programa estadual Mais Ovinos e a secretária da Agricultura e Pecuária de Sobral, Luiza Barreto. “É importante para Sobral sediar esta reunião, em momento em que se fortalecem as cadeias”, destacou ela, cuja Secretaria está à frente do projeto Cordeiro de Sobral, proposta para beneficiar a ovinocultura de corte em Sobral e municípios próximos, com apoio da Embrapa.

As informações são da Embrapa Caprinos e Ovinos.

MINISTRA DO MEIO AMBIENTE DEFENDE VETO AO NOVO CÓDIGO FLORESTAL

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, declarou nesta segunda-feira ser favorável a um veto presidencial ao novo Código Florestal e demonstrou preocupação com a insegurança jurídica que o texto pode trazer.

“A posição da ministra é pelo veto. Não tenho nenhum problema em dizer isso”, afirmou Izabella durante debate no Senado sobre a Carta da Terra, segundo a assessoria de imprensa da ministra. A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos voltados à construção de uma sociedade global sustentável.

“Não tenho nenhum problema em pedir o veto ao Código Florestal”, disse a ministra, acrescentando que é necessário produzir regras claras, e não uma legislação “puxadinho”.

“Tenho problema é de lidar com a realidade depois disso (do veto), de garantir condições para quem produz alimentos e protege o meio ambiente, com inclusão social”, afirmou.

A Câmara dos Deputados aprovou o novo Código Florestal, no fim de abril, com algumas lacunas na parte do texto que trata da recuperação de vegetação nas margens de rios. A aprovação do projeto, com o apoio da bancada ruralista, desagradou o Planalto, que defendia a manutenção do texto produzido por senadores em dezembro do ano passado, por considerá-lo mais equilibrado.

Segundo uma fonte do governo próxima às negociações, a falta de exigência de reflorestamento ao longo de rios com mais de 10 metros de largura, que está no texto aprovado pela Câmara, configura na prática uma anistia a quem desmatou nessas áreas.

O texto do Código Florestal ainda está na Câmara dos Deputados, aguardando assinaturas de integrantes da Secretaria da Mesa para ser encaminhado ao Palácio do Planalto. A partir do momento em que receber oficialmente a redação final do código, a presidente Dilma Rousseff terá 15 dias úteis para sancionar ou vetar a proposta.

Se Dilma retirar os dispositivos que trata da recuperação em margens de rios, torna-se necessária a edição de uma medida provisória para preencher essa brecha.

 

fonte:  Reuters