Produtividade de milho na região Sul será 20% maior na safra 2012/13

A estimativa para a produção das duas safras de milho no Brasil é de 76 milhões de toneladas para a temporada 2012/13, alta de 4,2% em relação à de 2011/12. As informações foram anunciadas durante o levantamento da safra de grãos divulgado nesta quinta-feira, 7 de março,  pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

As regiões Nordeste e Sul, que sofreram anteriormente com os efeitos climáticos, devem se recuperar das perdas e obterem os maiores aumentos percentuais do país: 20% e 14,9%, respectivamente. Entre os principais estados produtores do cereal, a perspectiva é que o Rio Grande do Sul apresente a maior elevação, de 53,3%, passando de 3,3 milhões de toneladas para 5,1 milhões de toneladas.

O Paraná deve produzir o maior volume do Brasil, somando 18,1 milhões de toneladas nas duas safras do cereal, seguido pelo Mato Grosso (16,5 milhões). Já o Distrito Federal, caso confirmadas as projeções, terá a maior produtividade entre as Unidades da Federação, de 8 toneladas por hectare.

Em relação à primeira safra do cereal, os ganhos elevados de produtividade na região Sul foram responsáveis por um incremento de 2,7% do grão na atual temporada, passando de 33,8 milhões de toneladas em 2011/12 para 34,7 milhões em 2012/13. Já a produção da segunda safra tem como destaque o Centro-Oeste, que aumentou no período 3,2%, passando de 25,3 milhões de toneladas para 26,1 milhões de toneladas.

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Carlos Mota
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VÍRUS DA FEBRE AFTOSA NÃO CIRCULA MAIS NO PIAUÍ, DIZ DIRETOR GERAL DA ADAPI

O diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi), José Antônio, afirmou que exames feitos pela fiscalização do Ministério da Agricultura, nessa quinta-feira (28), demonstraram que o vírus da febre aftosa não existe no estado. De acordo com a Adapi, esse laudo é a etapa mais importante no processo para que o Piauí receba a certificação de área livre da aftosa.

Atualmente, o Piauí possui um rebanho de aproximadamente 1,7 milhão de cabeças de gado divididas em 64 mil propriedades rurais. Segundo José Antônio, o estado ainda não recebeu o certificado de área livre, mas a expectativa é de que o processo seja concluído até junho deste ano.

É realizada a segunda etapa de vacinação aftosa (Foto: Luzimar Bessa/Sepror)Piauí possui rebanho de aproximadamente 1,7 milhão de cabeças de gado (Foto: Luzimar Bessa)

“O resultado desse exame comprova a não circulação do vírus da aftosa no estado. O que quer dizer que estamos caminhando para que o Piauí fique livre dessa doença. Acreditamos que o Ministério deve emitir o certificado até o mês de junho, mas, mesmo assim, as campanhas de vacinação continuam”, declarou o diretor geral.

Ainda conforme José Antônio, cerca de 90% do gado piauiense foi vacinado com o laudo constatando a erradicação da circulação do vírus.

“Agora, a fiscalização das barreiras sanitárias é um trabalho fundamental para a manutenção da conquista. A obtenção do certificado de área livre da aftosa representa para o Piauí um grande avanço na comercialização dos rebanhos do estado, que poderá ser comercializado para todo o Brasil e com equiparação de preços com outros estados”, explica José Antônio.

Capim massai para produção de ovinos de qualidade.


Roberto Claudio Fernandes é pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, localizada em Sobral-CE, e afirma que o capim massai “é uma gramínea muito versátil e que produz bastante, tanto em terreno seco como no irrigado”. É uma variedade que possuí fácil adaptação climática, produz uma grande quantidade de folhas e ser resistente a cigarrinha das pastagens.

No que diz respeito ao plantio do capim massai, Roberto Claudio aponta que ocorrem através de mudas ou sementes, sendo a última forma a mais econômica. É recomendado que a semeadura seja feita no período chuvoso (de novembro a fevereiro) e por linhas, juntamente com os processos de aragem e gradação, para que os animais tenham pastagem durante a estação mais seca e de estiagem prolongada (inverno).

O capim massai é indicado para o pastejo rotacionado devido a boa cobertura do solo e rápida rebrota, além de servir para produção de feno. Seu teor de proteína bruta varia entre 10% e 12%, apresentando uma boa produção de folhagens, e é recomendado também na criação de bovinos e eqüinos.

Sobre o manejo da pastagem e o sistema de rotação, existe uma fórmula bastante simples para que o produtor rural consiga entender melhor:

NP = PD/PO + 1

NP = número de piquetes

PD = período de descanso

PO = período de ocupação

Exemplo de pastejo rotacionado com capim massai: Se o produtor tem 8 piquetes (NP) numa área irrigada, ele pode deixar os ovinos em um período de pastejo de 2 dias (PO) em cada piquete – quando a altura residual atingir 25 cm a 30 cm – e deixar a pastagem descansando por 21 dias (PD), até que que o capim cumpra o ciclo de crescimento e atinja uma altura de 60 cm a 70 cm. Durante este intervalo é importante que a área dos piquetes seja adubada.

Recomenda-se uma adubação com cerca de 600Kg a 800Kg de nitrogênio por hectare/ano, mas é fundamental que o produtor obtenha mais informações através da análise de solo antes de iniciar qualquer procedimento.

Sobre o capim massai – Trata-se de uma variedade híbrida, entre o Panicum maximum e Panicum infestum, coletada na Tânzania, localizada no continente africano, e liberada após a realização de pesquisas pela Embrapa Gado de Corte em 2001.

Rural Centro

Alimentação dos ovinos

Tudo entra pela boca: saúde, vigor, doenças, lucros e prejuízos e, então, é preciso estar sempre de olho aberto para o que desce pela garganta dos animais.

l Sempre mascando – Ovelhas pertencem à classificação de animais ruminantes. Ruminantes são caracterizados por “quatro” estômagos e comportamento “ruminar-mascar”. A ruminação é um bolo alimentar que foi regurgitado.

l Ruminantes – Há cerca de 150 diferentes espécies de ruminantes domésticos e selvagens, incluindo vacas, cabras, veados, búfalos, bisontes, girafas, alces e renas. Ruminantes são ainda classificados pelo comportamento de forragem: herbívoros, pastadores, ou herbívoros intermediários. Herbívoros, como bovinos, consomem principalmente gramíneas de qualidade inferior, enquanto pastadores como o alce e os veados ficam na mata e comem galhos e arbustos altamente nutritivos. Intermediários, como ovelhas, cabras e veados de rabo branco, tem requisitos nutricionais que estão entre os herbívoros e pastadores. Ovelhas, deste grupo, são mais herbívoras, enquanto cabras e cervos são pastadores.

A principal diferença entre os ruminantes e os animais de um único estômago (chamados monogástricos), tais como as pessoas, cães, e porcos, é a presença de um estômago com quatro compartimentos. As quatro partes são o rúmen, retículo, omaso e abomaso. Dizem, muitas vezes, que os ruminantes têm quatro estômagos. O seu “estômago” tem quatro partes na realidade.

l Pseudo-ruminantes – Camelídeos (lhamas e alpacas) são chamados de “pseudo-ruminantes”, porque têm um estômago de três compartimentos, em vez de quatro. Os cavalos não são ruminantes, pois eles têm um ceco alargado, que lhes permite digerir os materiais fibrosos. Os animais deste tipo são chamados de “intestino fermentador”. Um coelho tem um sistema digestivo semelhante.

l O sistema digestivo do rúmen – O rúmen ocupa uma grande porcentagem da cavidade abdominal do ruminante. É um grande espaço de armazenamento para o alimento que é rapidamente consumido e, depois, regurgitado, remastigado e ingerido novamente em um processo chamado de ruminação-mastigação. A ruminação ocorre, primeiramente, quando o animal está em repouso e não come. Ovelhas adultas saudáveis vão mastigar sua ruminação durante várias horas cada dia.

O rúmen é também uma cuba de fermentação de grande porte. Ele contém bilhões de micro-organismos, incluindo bactéria e protozoário, que permite aos ruminantes digerir alimentos fibrosos, como capim, feno e silagem que outros animais não podem utilizar eficientemente. Fermentação no rúmen produz enormes quantidades de gás que os ruminantes livram-se através da eructação (arroto). Qualquer coisa que interfira os arrotos é fatal para o ruminante e pode resultar em inchaço. Os casos leves geralmente podem ser tratados, com sucesso, com antiácido.

O retículo está intimamente associado com o rúmen. O conteúdo mistura-se continuamente entre as duas cavidades. O retículo parece um “pente de mel”. A atividade digestiva ocorre no omaso. Ele contém muitas camadas de tecido. O abomaso é o estômago “verdadeiro” do ruminante. Ele tem uma função similar à do estômago de um não- ruminante: secreção de enzimas e ácidos para quebrar os nutrientes.

l Ruminantes Jovens – O rúmen e retículo do cordeiro, ao nascer, ainda não são funcionais. Estes dois compartimentos começam a multiplicar micro-organismos quando os cordeiros começam a beliscar alimentos secos.

Os micróbios, à medida que se multiplicam e começam a digerir os alimentos, estimulam o crescimento e desenvolvimento do rúmen e do retículo. Estes últimos tornam-se, geralmente, funcionais quando o cordeiro atinge 50 a 60 dias de idade.

A alimentação suplementar deve ser de nutrição rápida, pois precisa ser altamente digerível, já que os cordeiros não nascem com o funcionamento do rúmen. Rações adequadas consistem em alimentos que foram triturados, enrolados, ou sedimentados. Isso melhora o desenvolvimento do rúmen deste animal.

l Pasto por princípio – A dieta mais natural é a forrageira (capim, ervas daninhas, pasto, feno e silagem), apesar dos ruminantes conseguirem digerir grãos (amidos). Uma grande quantidade de ácido láctico é produzida no rúmen e o pH fica baixo, se o ruminante consumir muito grão ao mesmo tempo. Esta pode ser uma doença fatal para o ruminante. O grão deve ser introduzido lentamente na dieta para dar tempo de ajuste ao rúmen.

l Não muito grão – As ovelhas “amam” o sabor dos grãos. É como “doce” para elas. Elas vão comer demais se o consumo de grãos não for regulado. O grão pode ser suplemento e em alguns casos substituir a forragem na dieta se for introduzido lentamente. Grão integral é melhor para ovelhas porque exige que elas façam sua própria moagem. Problemas na digestão são menos comuns em grãos integrais comparados aos processados (triturados, rachados, ou moídos).

Algumas forragens devem ser consumidas sempre por ruminantes, para manter o funcionamento do rúmen corretamente e manter os animais satisfeitos.

l Gases de efeito estufa – Um dos impactos globais da criação do rebanho ruminante é que quando os ruminantes arrotam, eles produzem metano, um dos gases de efeito estufa. Uma pequena quantidade de metano também é produzida pelo estrume. Os cientistas estão atualmente estudando formas de reduzir a produção de metano dos ruminantes. Sabe-se, por exemplo, que os animais alimentados com certas plantas produzem menos metano. Cientistas australianos estão testando uma vacina para reduzir a produção de metano. Impor um imposto sobre o “pum” tem sido proposto para ajudar a financiar as pesquisas, mas não foi implementado.

Casos de efeito estufa são responsáveis para contribuir para o aquecimento global. A maior fonte de gases de efeito estufa, de longe, é dos combustíveis fósseis.

l Grama, trevos e herbáceas – A maioria das ovelhas come grama, trevos, herbáceas e outras plantas do pasto. Elas apreciam principalmente as plantas herbáceas. É, geralmente, a primeira escolha de comida. É uma planta de folhas largas diferente da grama e também com flores muito nutritivas. Ovinos comem uma variedade de plantas e seleciona mais os nutrientes em sua dieta em comparação com os bovinos, mas muito menos que as cabras.

l O tempo de pastejo – Ovelhas pastam em média sete horas por dia, principalmente de madrugada e no final da tarde, perto do por-do-sol. Quando os suplementos são introduzidos, o melhor é alimentá-los no meio do dia, para que os padrões normais de pastagem não sejam interrompidos.

l As plantas diferentes – Ovelhas em áreas geográficas diferentes comem também plantas diferentes. Forrageiras tropicais geralmente não são tão nutritivas como aquelas que crescem em climas temperados. Proteína é, frequentemente, o nutriente mais determinante em forragens. Todas as forrageiras são mais nutritivas se forem ingeridas em estado vegetativo.

l Requisitos de pasto – A quantidade de pastagens, ou o intervalo que é preciso para alimentar uma ovelha, depende da qualidade da terra (solo), a quantidade e distribuição das chuvas, e a gestão do pasto. Um hectare de pasto ou pastagens, em climas secos, não pode alimentar muitas ovelhas como um hectare em clima úmido. Um hectare de pasto na estação chuvosa (primavera e outono) pode, obviamente, alimentar mais ovelhas do que um hectare na estação seca (geralmente no verão).

As taxas de reprodução e taxas de crescimento dos carneiros e ovelhas são mais baixas em climas áridos do que em áreas de boa pluviosidade, onde as forragens crescem mais abundantes. Se, porém, houver uma alimentação adequada, os animais irão se reproduzir e se desenvolver em qualquer região.

A produção de lã tende a ter maior importância nestes ambientes, uma vez que a lã de boa qualidade leva menos tempo para crescer, sendo mais lucrativa que a produção de leite. Um fazendeiro eficiente pode criar 10 ovelhas em um hectare de pastagem melhorada numa boa região, enquanto um outro, também eficiente, pode exigir 10 hectares de área nativa para cada ovelha, em regiões áridas. A lotação é determinada pela região e pela situação.

l Alimentos armazenados – As ovelhas são, geralmente, tratadas com alimentos armazenados e colhidos, quando a forragem fresca não está disponível. Exemplos destes alimentos são: feno, silagem, culturas de subprodutos. Feno é a gramínea que foi cortada e tratada para o uso como alimento para o rebanho. Silagem é uma forragem verde que foi fermentada e armazenada em um silo, ou outro sistema que mantém o ar fora. Silagem mofada pode causar Listeriose em ovinos. A silagem para ovinos é servida em pedaços bem menores do que para o gado.

l A suplementação com grãos – Grão é muitas vezes fornecido para ovinos com maiores necessidades nutricionais, como ovelhas prenhes durante a gestação tardia, ovelhas cuidando de dois ou mais cordeiros, e cordeiros com potencial genético para crescimento rápido. Os cereais são: milho, cevada, trigo e aveia.

Uma fonte de proteína, tal como farinha de soja ou farinha de semente de algodão, é geralmente adicionado à ração de cereais, juntamente com vitaminas e minerais para fazer uma ração 100% balanceada. Ração não balanceada pode levar a vários problemas de saúde.

Ovelhas adoram o sabor do grão e podem ficar doentes se comer rapidamente. O consumo precisa ser regulado, introduzido lentamente e aumentado gradualmente. Ruminantes devem sempre ter algum volumoso em suas dietas – pelo menos 0,45 kg por dia para ovinos. Produtores em muitas partes do mundo não podem se dar ao luxo de alimentar o rebanho com grãos. Em algumas regiões e algumas situações os grãos podem ser mais lucrativos do que a forragem.

l Subprodutos – Subprodutos da produção agrícola e alimentos processados também podem ser fornecidos para ovinos. Exemplos incluem casca de soja, casca de amendoim e caroço de algodão. O milho está se tornando um alimento menos popular para ovelhas e outros rebanhos, pois está sendo usado na produção de etanol.

l Benefícios da pastagem – Manejo, ou preservação de pastagem é bom método para o meio ambiente. Uma área coberta de grama é a melhor proteção contra a erosão do solo e o escoamento de água. As pastagens são um grande reservatório de carbono orgânico.

As pastagens, gerenciadas adequadamente, ajudam a reduzir os níveis atmosféricos de dióxido de carbono, o que pode reduzir o acúmulo de gases do efeito estufa.

l O domínio público – Algumas pessoas acreditam que não se deve permitir que ovelhas (ou qualquer outro rebanho) pastem em grama ou praças públicas. Muita gente ainda diz que “depois da ovelha só resta o deserto”. A pastagem exagerada do passado foi causada por falta de gestão e não deve ser uma razão para ignorar os benefícios potenciais da pastagem.

A pesquisa mostra que o pastejo leve ou moderado é geralmente mais vantajoso do que o pastejo livre em qualquer pastagem.

l Taxas controversas de pastejo – Os agricultores e pecuaristas, em terras norte-americanas, pagam uma taxa para seu rebanho pastar no local que pertence ao governo federal. A taxa é de U$1,35 por unidade de animal ao mês, conforme mostra a Tabela 1 (Na tabela, “AUM” é a unidade de consumo de forragem necessária para alimentar uma vaca e seu bezerro, um cavalo, ou cinco ovinos e caprinos – durante um mês).

Algumas pessoas pensam que as taxas de pastagem são muito baixas, pois estão bem abaixo do custo de locação de terrenos privados. O que elas não percebem é que, geralmente, usam-se mais hectares de terras públicas para o rebanho pastar.

Fazendeiros têm custos mais elevados com o uso de terras públicas do que privadas, pois acabam sendo forçados a fazer melhorias nos pastos do governo (construção e reparação de cercas, desenvolvimento de fontes de água, etc.). Têm, também, de partilhar o terreno com outros fatores como: mineração, florestal, fauna, caça e recreio.

l A pastagem exagerada – Ovelhas podem pastar muito perto do chão e um lote muito grande pode provocar um rebaixamento na pastagem. É necessário ter um bom planejamento para não deixar animais com fome, ou degradação de pastagem. Pastejo exagerado pode levar à perda de vegetação e erosão do solo. Nada como as boas práticas de pastagem.

l Comedoras de plantas daninhas da Natureza – Ovelhas e cabras têm sido muito utilizadas para controlar a vegetação indesejada. Seu uso tem aumentado nos últimos anos, pois os animais são uma ferramenta barata para fazer o controle biológico em áreas ambientalmente sensíveis. Ovelhas pastam principalmente em plantas hérbaceas (plantas com flor) e em gramíneas. Já as cabras preferem arbustos e outros materiais vegetais lenhosos.

l Ervas daninhas – Ovelhas estão sendo usadas atualmente em planaltos e regiões entre as montanhas, para controlar ervas daninhas e invasoras. Muitas ervas daninhas não podem ser controladas por meio de produtos químicos, práticas mecânicas ou culturais, devido ao elevado custo, ou à sua ineficácia relativa. Um exemplo é a eufórbia (Euphorbia esula), uma erva daninha, europeia e asiática que é tão perigosa a ponto de logo transformar extensas áreas em monocultura às avessas, ou seja, prejudicial.

Outra erva daninha perigosa no Ocidente é a Centáurea (Centaurea maculosa). Esta erva daninha invade faixas nativas e ameaça até mesmo áreas intocadas, como parques nacionais. As ovelhas são prontamente liberadas para pastejos em áreas das invasoras, sendo já encaradas como a mais importante ferramenta para combater ervas daninhas. A vantagem é que o lote de ovelhas (ou carneiros) pode seguir, depois, para o abate, garantindo lucro ao usuário.

As ovelhas são utilizadas para consumir a Kudzu (Pueraria montana), uma videira que substitui completamente toda a vegetação que cresce no Sudeste dos Estados Unidos. Até a perigosa Larkspur (Delphinium sp.), venenosa para o gado, é enfrentada pelas ovelhas. que, mesmo não apreciando, conseguem tolerar 3 a 4 vezes mais esta planta nociva, sendo utilizado o controle destas ervas em pastagens.

l Prevenção de incêndios – As ovelhas estão sendo usadas em muitos lugares para reduzir a ameaça de incêndio, como áreas onde a floresta interage com a comunidade urbana. As ovelhas são introduzidas para “rapar” a vegetação. Assim, cria-se um vácuo que irá impedir a combustão, constituindo uma barreira eficaz contra a propagação do incêndio.Este método de redução de incêndio é chamado de a criação de um “fuelbreak” (ruptura de combustão). O objetivo é reduzir a quantidade de combustão e altura da vegetação e criar uma barreira eficaz.

l Melhora na biodiversidade vegetal – Numerosos estudos têm mostrado como ovelhas e cabras, usadas sob condições prescritas, podem ajudar a aumentar a biodiversidade vegetal em faixas ocidentais. Sendo que as ovelhas preferem pastar e dormir em zonas de montanha, longe de regiões úmidas baixas. Assim, o gerenciamento do passtejo é facilitado, preservando as matas ciliares, bacias hidrográficas, áreas de drenagem, etc. Elas são mais fáceis de gerir em áreas de pastagem, onde questões críticas ciliares e bacias hidrográficas são uma preocupação. As ovelhas são uma ferramenta a favor do meio ambiente, quando bem utilizadas.

O nível de gramíneas perenes dentro da comunidade de plantas tende a aumentar, quando as ovelhas pastam na mesma área durante vários anos. Isso porque o pastejo melhora a infiltração de água e reduz a erosão. Planejamento do pastejo é uma grande arma a favor do meio ambiente.

l Melhora no habitat dos animais selvagens – O manejo de pastagem com ovelhas tem aumentado o habitat dos animais selvagens. De fato, o pastejo em momentos corretos, garante que a qualidade e quantidade de certos tipos de vegetação proliferem, ajudando na recomposição do habitat dos animais selvagens.

l As plantações de árvores – Produtores de ovinos no Canadá estão sendo pagos em até US$ 35 por ovelha que eles colocam para pastar em regiões de pastos com árvores recém-plantadas. Este método de pastejo prescrito aumenta a viabilidade das novas mudas de árvores, reduzindo a competição entre gramíneas, herbáceas e ervas daninhas, quanto à água, nutrientes do solo e a luz solar. Ovelhas “treinadas” são usadas também para pastar em vinhedos. O uso de ovelhas, ou cabras, em pomares vem conquistando muitos adeptos no mundo inteiro.

l Pastoreio sob linhas de alta tensão – As empresas de energia estão “contratando” rebanhos de ovinos (e caprinos) para mantê-los pastando sob as linhas de alta tensão, reduzindo a chance de uma faísca começar um incêndio e provocar quebra no fornecimento de energia para as cidades. Embaixo das linhas elétricas cabem milhões de ovelhas.

l Fundo-de-pasto – O pastoreio extensivo de fundo-de-pasto em áreas comuns na Grã-Bretanha é um fenômeno único na Europa, permitindo que o rebanho seja mantido em áreas não cercadas sem pastoreio constante. É muito comum nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Cada rebanho passa a ter seu próprio território e é auto-limitado para essa área. A quantidade ideal é considerada “um peso”. Assim, cada área tem seu “peso”, ou sua quantidade certa de animais que pode ser suportada. Extensas áreas são divididas em numerosos “pesos”; cada rebanho conhece sua própria área e retorna a ela depois da parição. O sistema de “fundo-de-pasto” (Hefted sheep) é muito importante para manter o ambiente original, ou selvagem. Devido ao surto de doenças, esse sistema quase foi abolido na Europa a partir do ano 2000. O aumento populacional vai liquidando esse sistema, lentamente.

Revista O Berro n163

Consumo de carne ovina dispara e incentiva surgimento de alianças

A ovinocultura brasileira está longe ainda de diminuir o fosso histórico entre o consumo em alta e a baixa oferta de carne. A melhoria na renda das famílias nesses últimos anos reforça a demanda e dita o ritmo do mercado. “Trabalho com 400 matrizes. Se tivesse 5 mil, sem exagero, eu conseguiria vender toda a produção de cordeiros, que é o ovino abatido com até um ano de idade”, diz Otávio Augusto Zancaner, de 28 anos, produtor em Birigui, no interior de São Paulo, principal Estado consumidor.

Zancaner participa de um programa pioneiro do Frigorífico Marfrig, chamado Fomento Ovinos, cujo objetivo é incrementar o volume e padronizar a matéria-prima entregue à unidade da empresa em Promissão, uma cidade próxima dali. Ele e mais outros 30 fazendeiros recebem desde material genético de alta qualidade até assistência técnica de uma equipe e orientação sobre cruzamentos, manejo e gestão dos apriscos. Seguindo ao pé da letra as recomendações, os ovinocultores têm mercado garantido para os animais que engordam e o frigorífico lhes paga ainda um bônus de até 18% pelo cordeiro.

Como o Marfrig, outros grupos que abatem e distribuem carne, entre eles o Baby Bode, da Bahia, fazem parceria com os produtores visando dar um paradeiro à sazonalidade que perdura e é um dos entraves do setor, que sofre ainda com a abundância de matadouros clandestinos. Já o Minerva Foods, que registra expansão nos pedidos de carne de cordeiros, se abastece no Chile e no Uruguai – principal fornecedor do Brasil.

Também em São Paulo, uma experiência inédita do Grupo Savana, que distribui cortes embalados para restaurantes finos, como o Fasano, inova e incentiva a produção do tri-cross, animal que nasce da cruza industrial de três raças (Santa Inês, Texel e Poll Dorset). “Vivemos um período de mudanças, e muitos criadores aceleram a transição entre a genética e a produção comercial, por conta da crescente procura pela carne. Agora que o produto chegou definitivamente aos supermercados e a outros pontos do varejo, popularizando-se cada vez mais, aguardem novidades”, diz Robson Leite, proprietário do Frigorífico Savana, que começou distribuindo quatro tipos de corte e hoje comercializa 52.

Técnicas simples melhoram a produção de caprinos no Semiárido

Pequenas mudanças de práticas na criação de caprinos podem apresentar bons resultados para os produtores do sertão do Nordeste. Um estudo realizado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Petrolina (PE), mostra que a adoção de algumas técnicas simples permitem melhores desempenhos produtivos dos animais, o que implica em maior rentabilidade da atividade.

Os experimentos estão sendo conduzido pelo pesquisador da Embrapa Semiárido Tadeu Vinhas Voltolini e pelo médico veterinário Jair Campos Soares, mestrando em Ciência Animal pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). O foco do sistema de produção analisado é a alimentação e o manejo dos animais.

Tradicionalmente na região, a criação de caprinos é praticada de forma extensiva, com a alimentação baseada exclusivamente na vegetação nativa da Caatinga. Segundo os pesquisadores, esta base alimentar é insuficiente tanto em termos de quantidade quanto de qualidade, e a perda de peso provocada especialmente no período da seca compromete o desempenho reprodutivo das fêmeas e o peso das suas crias.

Já no sistema de criação proposto na pesquisa, utiliza-se uma combinação da vegetação nativa e reserva de forragens. “Quando está verde, criamos o rebanho na Caatinga – sem exceder a quantidade de animais alimentados com essa vegetação –, e quando está seco usamos outras estratégias para a alimentação, como a palma, o capim bufel, a pornunça, a maniçoba e a melancia forrageira, a maioria sendo conservada na forma de feno e silagem ”, explica Tadeu Voltolini.

Quanto ao manejo dos animais, uma das principais técnicas adotadas é a estação de monta, em que os machos são mantidos separados do rebanho, e colocados junto às fêmeas somente no período programado para a reprodução. Dessa forma, o nascimento, o desmame e a engorda dos animais podem ser planejados, dando atenção a cada uma dessas atividades – o que representa melhor manejo dos animais em associação com a otimização da mão-de-obra da propriedade.

De acordo com Jair Soares, nesse sistema de produção, o índice de mortalidade das crias foi de apenas 5%, número considerado baixo quando comparado ao sistema tradicional de criação extensiva, que chega a ser superior a 30%. Além disso, a fertilidade das fêmeas alcançou 75%, valor bastante superior ao normalmente encontrado na região. “Com uma alimentação e manejo adequados, a eficiência reprodutiva dos animais aumenta”, explica o veterinário.

Para o pesquisador Tadeu Voltolini, esses são resultados que vão levar a propriedade a ter um melhor retorno econômico. Os dados da pesquisa foram obtidos no ano de 2012, marcado pela maior estiagem das últimas décadas no Nordeste. “Isso mostra que mesmo em um período de seca, técnicas simples fazem grande diferença em um sistema de produção”, avalia.

fonte: ANCO

Profissão de vaqueiro poderá ser regulamentada

Proposta em análise na Câmara regulamenta a profissão de vaqueiro. Pelo texto, é de responsabilidade desse profissional conduzir os animais de modo a garantir-lhes a boa saúde ao longo dos trajetos. Já aos empregadores caberá contratar seguro de vida e de acidente para os vaqueiros.

A medida está prevista no Projeto de Lei 4831/12, do deputado Carlos Brandão (PSDB-MA). Conforme a proposta, o vaqueiro também terá direito à aposentadoria após comprovados 30 anos de contribuição, se homem, e 25, se mulher.

Dentre as atividades relacionadas à profissão, o texto enumera as seguintes: tratar, manejar e conduzir animais como bovinos, bubalinos, equinos, muares, caprinos e ovinos; fiscalizar as pastagens, as cercas e as aguadas; prover consultoria técnica relacionada ao meio ambiente rural; organizar eventos associados aos animais.

De acordo com Brandão, a regulamentação irá beneficiar milhares de trabalhadores e contribuir para preservar as tradições culturais do sertão brasileiro. “Ao realizar suas atividades, o vaqueiro mantém a cultura do vestuário, da gastronomia, da caracterização da região e da literatura cantada”, sustenta.

Tramitação
O projeto terá análise conclusiva das Comissões de Seguridade Social e Família; de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Inseminação em Caprinos e Ovinos é tema de Minicurso

Alunos do sétimo período do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA – promoverão no dias 05 a 09 de março o minicurso “Inseminação Artificial nas Espécies Caprina e Ovina”. O evento é voltado para estudantes e profissionais da área de ciências animais e contará com palestras e aula prática ministradas pelo professor Alexandre Rodrigues e pelos doutorandos e mestrandos do Laboratório de Conservação de Germoplasma Animal – LCGA.

Segundo os estudantes Mikael Lima e Talles Rodrigues da Cunha, responsáveis pela organização do evento, o minicurso tem como objetivo apresentar e aprofundar as técnicas de inseminação artificial em ovinos e caprinos. “Buscaremos passar aos participantes informações sobre o processo teórico e prático sobre esse tipo de inseminação para que se tornem capazes de realizá-la corretamente”, explicou Mikael.

Os interessados em participar do minicurso devem contactar os organizadores pelos telefones (84)8706-8077/(84)8714-1914/(84)9999-7750. O valor da inscrição é de R$ 40 e todos os participantes receberão certificados referentes à carga horária de 20 horas. As vagas são limitadas.

Confira a programação do minicurso a seguir:

Local: Mini-auditório do prédio central, localizado no Campus Oeste da UFERSA Mossoró.

Horário: 18h às 22h.

Dia 05/03 – Palestra sobre Anatomo-fisiologia da reprodução do macho caprino e ovino.
Palestra sobre Anatomo-fisiologia da reprodução da fêmea caprina e ovina.

Dia 06/03 – Palestra sobre Manejo reprodutivo em caprinos e ovinos.

Palestra sobre Manejo sanitário voltado para a reprodução de caprino e ovinos (Prof. Ana Carla).

Dia 07/03 – Palestra sobre Coleta, manipulação e avaliação de sêmen caprino e ovino.

Palestra sobre Tecnologia do sêmen caprino e ovino.

Dia 08/03 – Palestras sobre Controle hormonal do ciclo estral da fêmea caprina e ovina.

Palestra sobre Inseminação Artificial em caprinos e ovinos

Local: Núcleo de Extração de Pequenos Ruminantes, situada no Campus Oeste, na UFERSA Mossoró.

Horário: Das 7h às 11h e das 13h às 17h.

Dia 09/03 – Aula prática de inseminação artificial em caprinos e ovinos.

Produtores do Ceará apostam na criação de ovinos e caprinos

Diante de uma das maiores secas do sertão do Ceará nos últimos 40 anos, a criação de cabras leiteiras e de corte é hoje uma opção viável e rentável para pequenos produtores rurais que formam a agricultura familiar. Em vários municípios do Estado do Ceará, como Tauá, Quixadá, Canindé, Tejuçuoca, Morada Nova, Banabuiú, Itatira, Paramoti e Caridade, a atividade vem crescendo nos últimos anos graças ao associativismo e aos recursos liberados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS). Além de ações de campo desenvolvidas pelo Instituto Agropólos do Ceará e Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), escritórios da Ematerce local e regional, Sindicatos dos Trabalhadores Rurais e Secretarias de Agricultura municipais.

O projeto social de ovinocaprinocultura leiteira e de corte está mudando a vida de muitas famílias de áreas de assentamentos na maioria integrantes do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).

Conforme o zootecnista da Ematerce de Canindé, Samuel Pimenta, assessor regional responsável pela cadeia produtiva na região, o projeto tem um grande valor social e trará resultados positivos para famílias carentes do semiárido.

“A ideia da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, no decorrer das ações, é a distribuição, a todas as famílias beneficiadas, de sementes para reservas estratégicas, entre as quais sorgo forrageiro, feijão guandu e palma forrageira, capacitação para os criadores em manejo alimentar, sanitário e reprodutivo de animais, além da gestão associativa e cooperada”.

Para participar do projeto de cabras leiteiras e corte, os produtores realizaram dias de campo para produção de silagem, feno, ração, mineralização e missões técnicas. “Um fato que nos deixa animados é que, após a entrega dos animais, os criadores já estão ordenhando os animais e se beneficiando do leite caprino. O público-alvo desse projeto são as famílias que participam do Bolsa Família”, acrescenta o secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado, Nelson Martins.

Os recursos são da ordem de R$ 2,5 milhões. Na opinião do gerente local da Ematerce de Canindé, Domingos Sávio, a criação de cabras é uma das grandes potencialidades da região. A caprinocultura de corte e leite fortalece a cadeia de segurança alimentar. “Enquanto os criadores de bovinos estão com as mãos na cabeça para salvar seus animais, os criadores de caprinos encontram mais facilidades de conviver com a seca ou estiagem. Nunca ouvir dizer que um bode ou uma cabra venha a morrer de fome ou sede numa seca”, diz.

O prefeito de Canindé, Celso Crisóstomo, lembra que a produção dos agricultores familiares será destinada ao programa Leite Fome Zero. As compras já somam até 5 mil litros de leite caprino por dia a um preço de R$ 1,20 o litro. “Não existe comunidade nenhuma no mundo que consiga sair da zona de pobreza, sem antes apostar na produção do campo, principalmente por meio da agricultura familiar”.

Na sua visão, o leite de cabra é potencialmente tido como um produto de inclusão da agricultura familiar no mercado, notadamente no Nordeste brasileiro, onde a caprinocultura leiteira de base familiar vem se desenvolvendo em larga escala, dando mais uma alternativa de sustento aos produtores.

Celson Crisóstomo lembra ainda que a cabra foi o primeiro animal capaz de produzir alimentos domesticados pelo homem, há cerca de dez mil anos. De lá para cá, sempre acompanhou a história da humanidade, conforme se atesta em diversos relatos históricos, mitológicos e até bíblicos, que mencionam a presença dos caprinos. “A caprinocultura é uma atividade que vem se desenvolvendo muito nos últimos anos. A população mundial de caprinos é estimada em cerca de 609 milhões de cabeças”.

Há registros mostrando que as cabras existem no Brasil desde 1560. Por serem animais de menor porte e mais dóceis, foram trazidos em navios no lugar das vacas para garantir o suprimento de leite das tripulações vindas de Portugal. Pequenas, resistentes e produtivas, as cabras são velhas conhecidas dos brasileiros. Apesar disso, levaram 450 anos para saltar da condição de animal de subsistência para status de espécies comercialmente rentável. Ainda que no Nordeste do País existam raças mestiças extremamente rústicas, criadas há décadas de forma solta no pasto, foi somente no fim dos anos de 1990 que o rebanho ganhou representatividade comercial. O Brasil já se posiciona como 11º maior produtor de leite de cabra do mundo, com mercado estimado em 25 milhões de litros anualmente.

Benefícios 

O leite de cabra chega a ter 30% menos colesterol que o de vaca, além de possuir menor teor de açúcar. Aproximadamente 6% das crianças têm sintomas de alergia ao leite de vaca, que podem caracterizar-se por distúrbios digestivos, corrimento nasal, otites, erupções cutâneas, entre outras alergias.

As partículas de gordura do leite de cabra são de tamanho reduzido em relação ao leite de vaca. Com isso, o leite é rapidamente absorvido, em cerca de 40 minutos, enquanto o leite de vaca demora, em média, duas horas, deixando menos resíduos no intestino, evitando assim fermentação e má digestão. O leite de cabra é uma excelente fonte de cálcio e vitaminas, sendo muito utilizado na ação preventiva e curativa de osteoporose.

Zootecnista informa as vantagens do rebanho 

Canindé. O sucesso do projeto para criar cabras no sertão já pode ser sentido, nos comparativos feitos por Samuel Pimenta. O zootecnista afirma que se os criadores cuidarem da sanidade do rebanho, empregarem novas técnicas de manejo alimentar e reprodutivo, que possibilitem melhorias e qualidade dos animais na ampliação do plantel de maneira uniforme e saudável, todos terão sucesso.

“Com as técnicas adequadas, a redução da mortandade fica praticamente zero e aumento no número do rebanho são comuns”, frisa. Para ele, uma das raças mais adaptadas para a região do semiárido é o Anglo Nubiano, uma raça mista tanto para carne como para leite, a Saaney, onde sua aptidão é leite, além de raças nativas como Canindé, Moxotó, que tem aptidão para produção de carne´´, diz.

“A exigência alimentar dessas raças não é tão grande. Possui excelente desempenho alimentar no ganho de peso e produção de leite. Elas são típicas de regiões semiáridas, onde o índice pluviométrico é baixo, na qual se adaptam bem às condições de escassez de chuvas, se alimentando de pastagens nativas da nossa Caatinga como, por exemplo, leucena, excelente proteína, a vagem da algaroba, feijão guandu, mameleiro, todas plantas predominantes da nossa região´´, explicou ele.

Para mostrar a viabilidade para se criar bodes, Samuel Pimenta faz um comparativo interessante. “Uma vaca de 500 quilos come cerca de 40 quilos de forragem, diariamente, e bebe 50 litros de água por dia, o que equivale de 10 a 12 caprinos adultos durante o dia. A cabra bebe em média 12 litros de água e se mantém com 6 quilos de alimento no mesmo período. “A cabra representa um meio de alimento de sobrevivência e uma saída econômica para muitas famílias do sertão do Ceará”, lembra Samuel.

Exemplo 

A vaca para primeira cria está apta a partir de 3 anos e só pare um filhote dentro da normalidade. Já a cabra está pronta para cobertura a partir dos 8 meses e é comum nascer dois filhotes. “A cada dois anos, aproximadamente, a cabra assegura três crias, a vaca só voltaria a parir depois de um ano. O intervalo entre os partos de uma vaca está na média de 18 meses. A cabra nesse mesmo processo seriam 8 meses”, ensina o zootecnista.

Segundo o profissional da área, com as técnicas aplicadas corretamente, nascem, em média, dois cabritos por ano.

O manejo sanitário implica também o uso correto de imunização, além de aplicar vermifugação de quatro em quatro meses. “Em Tauá, quem cria cabra já aprendeu inclusive a fazer pequenas cirurgias, corte do umbigo e castração, visando prevenir doenças e infecções nos animais´´, lembra Samuel Pimenta.

Para o secretário de Agricultura e Recursos Hídricos de Canindé, Valdemir Amâncio, a grande finalidade do órgão é conscientizar o agricultor sobre as vantagens da criação de caprinos, animal rústico que se adapta com facilidade ao clima do sertão do Estado do Ceará.

Em relação aos bovinos, animais de maior porte e que comem por 12 caprinos, Amâncio salienta que exige mais capital por parte dos criadores para aquisição das matrizes e bezerros, além de mais tempo para a comercialização.

Quanto aos caprinos, o mercado é favorável e a oferta atual sequer atende à demanda regional. “Com sete meses, os caprinos chegam a uma média de 35 quilos e até um ano de idade é o tempo ideal para comercialização, porque a carne está macia”, lembra o secretário.