CONCURSO BORREGA AO PÉ

COPA SANTA INÊS NISSAN FRONTIER

CONCURSO BORREGA AO PÉ

 Regulamento:

Período: Durante a Exporural 2013

Idade: Borregas de 1 a 100 dias de vida

Grau de Sangue: P.O.

Julgamento: Borrega obrigatoriamente não apartada, tatuada ou não, sendo apresentada junto com a mãe. O julgamento ocorrerá com a borrega obrigatoriamente solta.

Premiação: Campeã –           R$ 1.500,00

                     Res. Campeã – R$ 1.200,00

                     3º Prêmio –       R$  1.000,00

                     4º Prêmio –       R$     800,00

                     5º Prêmio –        R$    500,00

Os animais classificados de 1º a 3º prêmio serão necessariamente ofertados no III Leilão Africano no dia 16 de agosto às 20hs.

CURSO DE JURADOS AUXILIARES

 

CURSO DE FORMAÇÃO PARA JURADOS AUXILIARES DA RAÇA SANTA INÊS.

 

O curso de formação para jurados auxiliares da Raça Santa Inês é uma realização da Associação Brasileira de Santa Inês, Colegiado de Jurados da Raça Santa Inês e homologado pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos A.R.C.O.

O curso acontecerá nos dias 15, 16, 17 e 18 de Agosto de 2013 em Salvador Bahia.

O objetivo será a qualificação de profissionais em jurados auxiliares da raça Santa Inês. Poderão participar do curso, profissionais com nível superior, em Engenharia Agronômica, Medicina Veterinária e Zootecnia.

O curso terá a carga horária de 40 horas e será ministrado pelos Jurados Joselito Araujo Barbosa e Felipe Adelino de Lima, e possui vagas limitadas!

Para Profissionais que desejam se tornar jurado auxiliar o custo é de R$ 500,00, para pagamento até 28 de junho ou enquanto durar as vagas, após esta data o valor será de R$ 678,00.

Para aqueles que desejam fazer o curso como ouvinte o custo será de R$ 250,00 até o dia 10 de julho, nesta condição poderá fazer o curso criadores, estudantes e demais interessados

Programação:

  • ABSI e CJRSI, estrutura e objetivos;
  • Raça Santa Inês – Evolução e Padrão Racial
  • Os novos paradigmas de um jurado
  • Comunicação e Ética do jurado;
  • Métodos e critérios e julgamento;
  • Teoria do Julgamento comparativo;
  • Dinâmica de Julgamento;
  • Sistema de Avaliação R.A.D.A.R.
  • Avaliação teórica;
  • Praticas de Julgamento;
  • Avaliação Pratica.

Para inscrição:

INSCRIÇÕES ENCERRADAS!!!

 

 

MATO GROSSO DO SUL CRIA SISTEMA INÉDITO DE ABATE PARA OVINOS.

O sistema, denominado Propriedade de Descanso de Ovinos para Abate (PDOA), visa organizar a ovinocultura do Estado, possibilitando reunir os animais a serem abatidos, facilitando o escoamento para as indústrias frigoríficas.

O lançamento do sistema PDOA ocorrerá durante a reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com a presença da secretária do Desenvolvimento agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo (Seprotur), Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias. A 1ª PDOA está localizada na BR 060, entre Campo Grande e Sidrolândia.

O objetivo é oferecer estímulos e segurança ao ovinocultor, proporcionando maior organização do setor e da escala para a indústria frigorífica. “Levamos em consideração que a produção estadual é fracionada, e verificamos a vantagem de reunir os animais em uma propriedade de descanso, onde o frigorífico irá embarcar os animais e encaminhá-los para abate, o que facilita a logística e torna os preços mais atrativos para o produtor”, avalia o médico veterinário do Sistema Famasul, Horácio Tinoco.

Os 100 cordeiros encaminhados ao frigorífico na fase piloto da PDOA são de produtores dos municípios de Campo Grande, Sidrolândia, Jaraguari e Terenos. De acordo com Tinoco, a intenção é ampliar o número de propriedades de descanso, por meio dos sindicatos rurais e por demanda por parte dos frigoríficos e dos produtores.

Toda PDOA deverá ter um médico veterinário responsável pelos animais desde a chegada até o embarque ao frigorífico, podendo os ovinos permanecerem na propriedade de descanso no máximo três dias.

Além de realizar inspeções, o veterinário deve assegurar que os animais sejam destinados exclusivamente ao abate em frigoríficos com Serviço de Inspeção Sanitária Federal, Estadual ou Municipal. Ele também responde pelo agendamento do dia de embarque, pelos formulários que monitoram a relação de animais e a higienização do local, e ainda deve informar imediatamente, ao Serviço Veterinário Oficial, sobre qualquer suspeita de enfermidade.

A iniciativa da propriedade de descanso é do Sistema Famasul, junto a Superintendência Federal da Agricultura (SFA/MS), Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz/MS), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo (Seprotur), Câmara Setorial da Ovinocultura e a Associação Sul-mato-grossense de Criadores de Ovinos.

Sustentabilidade em ecossistemas de pastagem

As áreas de pastagem ocupam mais de 32 milhões de km2 no mundo inteiro, sendo o principal uso dado a terra em nosso planeta. No Brasil, cerca de 150 milhões de hectares são ocupados com esse tipo de vegetação. As pastagens são a principal fonte de alimento volumoso para os animais nos trópicos, tanto que, estima-se que metade do que é produzido em carne e leite seja proveniente de animais criados em áreas de pastagem.

Até bem pouco tempo, o uso do pasto cultivado era restrito a sistemas de produção de carne, principalmente bovina. Com a expansão da ovinocultura para as regiões Norte e Centro-oeste, tradicionalmente produtoras de carne em pastagens, esse recurso tem sido amplamente utilizado também por produtores de ovinos. Em termos de produção de leite, sistemas de produção semi-intensivos ou com baixo input de concentrado já são bem conhecidos dos produtores de leite de vaca em várias regiões do país. Para produção de leite de cabra, no entanto, o sistema mais conhecido e utilizado por grandes produtores é o confinamento. Novas experiências com o uso de pastagem cultivada como base para alimentação podem também representar um novo modelo de produção.

Diante da importância que as pastagens desempenham para a maioria dos modelos de produção praticados, é fundamental que seu uso esteja condicionado a práticas sustentáveis de manejo, como adubação, introdução de leguminosas, ajuste da taxa de lotação, entre outras, a fim de que a produtividade seja mantida ao longo do tempo, sem comprometer os componentes principais do ecossistema. Nos dias atuais, em que cada vez mais a preocupação com o meio ambiente é de extrema importância para a sobrevivência do planeta, o uso de pastagens para a manutenção de altos estoques de carbono na biomassa e no solo pode contribuir para a melhoria do clima. Já se sabe que, em solos bem manejados sob ecossistemas de pastagem, é possível encontrar grandes estoques de carbono (0,5 Mg C ha-1 ano-1), em quantidades semelhantes ao encontrado em solos sob florestas tropicais (até 0,8 Mg C ha-1 ano-1). A capacidade de estocar carbono dos solos sob pastagem é determinada principalmente pela manutenção e renovação do sistema radicular e também pelo aporte de liteira proveniente de material em decomposição, que fornecem substrato para a mineralização da matéria orgânica, com a formação de agregados e húmus, que são os componentes básicos para que o carbono seja estocado no solo.

Além disso, a possibilidade de introduzir árvores fixadoras de nitrogênio permite reduzir a entrada de fertilizantes no sistema, pois, dependendo da espécie, até 150kg de nitrogênio por hectare por ano podem ser incorporado ao sistema. Essa quantidade de nitrogênio supera em muito a média atual de aplicação de fertilizantes em áreas de pastagem, que é em torno de 10kg/ha ano, o que tem em muito contribuído para a degradação de áreas de pastagem no Brasil. As árvores também contribuem para melhorar o clima na área do pasto e proporcionar um melhor bem estar para os animais.

 A oferta de forragem de qualidade contribui para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, especialmente o metano, por animais ruminantes em pastejo. A produção de metano é maior quanto mais fibra for ofertada e consumida pelos animais em pastejo. A produção de forragem de boa qualidade, ou seja, com baixo teor de fibra e alta densidade energética e protéica, pode ser obtida com práticas simples de manejo do pastejo, onde a estrutura do mesmo forneça ao animal mais folhas verdes, menos colmos e pouco material morto.

O tipo ideal de forragem pode ser obtido manejando-se o pasto tanto em sistema contínuo quanto no rotativo. É mais comum observar manejo em sistema rotativo. Esse sistema tem a vantagem de permitir um período de descanso para que a planta recupere sua área foliar, produzindo forragem. É importante que o resíduo que compõe o pasto, após o pastejo, tenha folhas verdes jovens e haja pouco material como colmo e material morto. Esse resíduo pode ser medido através da altura do pasto. Para gramíneas cespitosas em torno de 20-30 cm e para estoloníferas por volta de 10 cm.

O intervalo de descanso deve ter o comprimento de tempo suficiente para o crescimento de folhas, que são o principal alimento do animal no pasto, sendo mínima a senescência (a morte de folhas). Para determinar o momento ideal do pastejo, uma variável muito interessante que vem sendo utilizada é a contagem do número de folhas produzidas por perfilho (uma planta de capim -, Figura 2) durante o intervalo de descanso. Por exemplo, para o capim Tanzânia, o intervalo ideal de pastejo é o tempo necessário para a formação de 2,5 folhas, ou seja, quando o perfilho produziu duas folhas e tem uma terceira em crescimento. Em capim-tifton 85 esse número é em torno de seis folhas.

Manejos utilizando as ferramentas anteriormente citadas têm permitido ganhos em carne ovina de até 240g/cab sob condições de pastejo, bem como produções de leite de cabra de até 1,5kg/cab. Sendo que se pode manter até 40 cordeiros em terminação e por volta de 35 cabras em lactação, em um hectare de pastagem.

Percebe-se que existem opções tecnológicas que podem ser utilizadas a fim de que haja maior sustentabilidade no uso de pastagens para a produção animal. O uso adequado dessas técnicas permite aumentar os estoques de carbono e nitrogênio nos sistemas de pastejo, reduzindo ainda a emissão de gases e maximizando o desempenho animal, com mínimo de impacto negativo sobre o ecossistema de pastagem.

Ana Clara Rodrigues Cavalcante
* Zootecnista, doutoranda em Ciência Animal e Pastagens. 
Atualmente é pesquisadora da Embrapa Caprinos e Ovinos

A nutrição para ovinos

A produção ovina tem demonstrado substancial crescimento nos últimos anos, conseguindo englobar em seus números uma considerável fatia do mercado produtivo, no entanto, ainda pequena se analisarmos o potencial que esta categoria possui. Com o aumento da produção, faz-se necessário o aumento do ritmo de crescimento destes animais, refletido no ganho de peso melhorado por meio de sua conversão alimentar. Para que consigam atingir tais níveis que garantam esta produção é importante que os níveis nutricionais sejam atendidos, tendo em vista a qualidade do alimento, a sua quantidade associada ao limitado consumo desta espécie, bem como suas restrições digestivas. Desta forma, o potencial genético dos animais é explorado ao máximo, garantindo a produção esperada.

Não menos importante que os níveis nutricionais está a sua associação aos fatores econômicos, visto que a alimentação é o mais oneroso dos custos de produção animal, sendo extremamente importante formular dietas de maneira que estes dois fatores estejam agregados e equilibrados, promovendo um satisfatório custo benefício.

Quando pensamos em produção animal, necessitamos primeiramente compreender o que iremos produzir, para que possamos escolher os animais – ou a raça – que demonstrem melhor adaptabilidade, ou seja, maior desempenho genético produtivo para tal característica, seja esta carne, leite ou ainda produção de lã. Posteriormente, necessitamos trabalhar a parte nutricional destes animais.

Os ovinos possuem uma característica funcional importante que é degradar alimentos compostos por quantidades elevadas de fibra, o que permite formular dietas com as mais diversas fontes de volumosos associados ou não a concentrado. Entre as mais utilizadas existe, ainda, uma grande variedade de forragens que podem ser pastejadas durante período de verão, tais como Pangola, Coast-Cross, Pensacola, Estrela Africana, Tifton e ainda algumas variedades de Panicum maximum, como Mombaça, Aruana, Tanzânia. No entanto, é extremamente importante manter um manejo sincronizado entre a qualidade e a quantidade de forragem ofertada aos animais, visto que as plantas têm seus depósitos de lignina mais acentuados com o transcorrer de seu crescimento vegetativo. Com isso, os níveis nutricionais da planta decrescem consideravelmente e, em conseqüência, a sua digestibilidade. Em regiões onde os invernos atingem temperaturas baixas, o cultivo de aveia, azevén e alguns tipos de trevos podem ser uma boa alternativa quando conjugados ou mesmo individualmente, pois estas plantas possuem parâmetros nutricionais excelentes para tal estação do ano.

Em consórcio com o pastoreio pode, ainda, ser fornecido um suplemento na forma de concentrado, o qual complementará o déficit nutricional causado pelo consumo somente da forragem, proporcionando um aporte suficiente para que os níveis produtivos desejados sejam alcançados. Desta forma, é imprescindível o conhecimento dos níveis nutricionais da forragem.

Os principais níveis a serem analisados nesta relação volumosos:concentrado são proteína, energia, vitaminas e minerais, de maneira que todos sejam atendidos suficientemente evitando desperdício em função da não absorção, devido ao excesso dos mesmos. Com o aumento da produção de grãos, diversas fontes de matéria-prima estão disponíveis no mercado para a confecção de concentrados, tais como milho, farelo de soja, farelo de trigo, farelo de arroz, farelo de girassol, polpa cítrica, caroço de algodão, entre outras tantas. É extremamente importante salientar que ao trabalharmos com resíduos da agroindústria, torna-se inevitável o conhecimento dos valores nutricionais dos mesmos para que a formulação da dieta proceda de maneira correta. A suplementação pode promover, além dos ganhos individuais, o aumento da carga animal, melhorando o rendimento de ganho de peso por área através da saciedade provocada pelo consumo do concentrado e do maior tempo de permanência destes animais nas proximidades do cocho.

Quando trabalhamos com alimentação animal, precisamos ter a consciência de que quanto maior a variedade de matéria-prima tivermos à disposição, mais simples será de consorciamos o balanço nutricional da dieta, os ganhos efetivos dos animais e a rentabilidade do sistema de produção.

Rafael Henrique Sachetautor é zootecnista, mestre em Produção Animal e Analista Técnico da Nuvital Nutrientes.

Dia de Campo apresenta alternativas para alimentação de caprinos e ovinos em época seca

O uso de culturas como o milheto, sorgo e girassol para produção de volumoso aos rebanhos de pequenos ruminantes em épocas secas é o tema do Dia de Campo que será promovido pela Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral-CE) no dia 24 de maio. O treinamento, voltado para agentes de assistência técnica e extensão rural, capacitará os participantes na produção de volumoso (alimentos que são fontes de energia e fibras para os rebanhos), com estações sobre Informações Agronômicas, Alimentação Animal, Custos de Produção e Confecção de Silagem.

Segundo o engenheiro agrônomo Henrique Antunes, pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, o interesse é mostrar os benefícios das três culturas, vantajosas por possuírem boa resistência e produtividade nas condições climáticas do semiárido, mesmo em períodos de chuvas abaixo da média. “O milheto e o girassol, por exemplo, têm ciclos mais curtos que outras culturas muito utilizadas no semiárido, como o milho. Havendo chuva, em um curto espaço de tempo já apresentam produção”, acrescenta ele.

 

Henrique ressalta que no experimento feito pela Embrapa (e que será demonstrado no Dia de Campo), uma área de 2,5 hectares foi usada para o plantio das três culturas em fevereiro e, mesmo após um período de cerca de 30 dias sem chuvas entre fevereiro e março, com o retorno das chuvas foi possível completar o ciclo do milheto e do girassol, além do ciclo do sorgo já estar próximo do fim. Ele relata também que uma experiência de plantio de milheto foi realizada na comunidade do Cedro, em Sobral (CE), com boa aceitação dos agricultores locais. “Eles ficaram muito animados, em poucos dias o milheto brotou e teve bom crescimento”, afirmou o pesquisador.

 

Outro benefício dessas culturas é a possibilidade de diversificar a produção agrícola no semiárido. “Ninguém defende que as culturas tradicionais como as do feijão e milho sejam substituídas, mas sim que o produtor rural tenha outras alternativas. Quanto mais houver essa diversificação, menor o risco dele não conseguir produzir alimento”, destaca o biólogo Fernando Guedes, também pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos.

 

Fernando ressalta também que essa introdução pode permitir a rotação de culturas – com a plantação de cada uma delas por ano, por exemplo – que traz benefícios ao solo e favorece a redução de pragas agrícolas. “Elas podem facilitar, também, outras atividades do produtor. O girassol tem boa aptidão para a apicultura”, exemplifica ele.

Henrique e Fernando estão na equipe responsável pelo Dia de Campo, que trabalhará com os agentes de assistência técnica e extensão rural, para que futuramente eles possam ser multiplicadores das técnicas de plantio, manejo de solo e silagem a produtores locais. Os participantes receberão sementes de milheto, sorgo e girassol para iniciarem plantios. Segundo os dois pesquisadores, a expectativa é que, se a experiência for bem aceita pelos produtores rurais, haja demanda por essas sementes nos centros comerciais.

 

O Dia de Campo terá início às 8 horas, na sede da Embrapa Caprinos e Ovinos (Fazenda Três Lagoas, Estrada Sobral-Groaíras, km 04), com apresentação do chefe-geral da Unidade, Evandro Holanda Júnior sobre Integração e Inovação de Sistemas Agrícolas no Semiárido. Em seguida, os participantes serão transportados para o campo experimental do Centro Tecnológico de Caprinos Leiteiros, onde serão realizadas as estações, a partir das 10 horas.

 

Adilson Nóbrega
Embrapa Caprinos e Ovinos
MTB/CE 01269JP
(88) 3112.7487
adilson.nobrega@embrapa.br

Governo anuncia instalação de frigorífico em Seminário de Ovinocaprinocultura

O Tocantins possui um rebanho de mais de 145 mil de ovinos e caprinos, e o número vem crescendo a cada ano. Com o objetivo de aumentar a produção, visando o fortalecimento do setor de forma sustentável, o Governo do Estado anunciou a construção de um frigorífico para o abate de ovinos e caprinos. A notícia foi dada pelo secretário executivo da Seagro – Secretaria da Agricultura e Pecuária, Ruiter Padua, na abertura do Seminário Estadual de Ovinocaprinocultura, durante a Agrotins – Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins.

De acordo com o secretário executivo, o Governador Siqueira Campos autorizou a construção, que poderá ser financiada com recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico. Segundo Padua, hoje um dos problemas que o produtor encontra é o escoamento da produção. “E o frigorifico fará o processamento da carne e com isso o produtor receberá mais pelos animais.

A Seagro solicitou que a instalação seja em Barrolândia, onde o setor está mais estruturado”, argumentou. Padua lembrou que o município possui um rebanho de mais de mil matrizes e os produtores estão organizados através da Associação de Criadores de Ovinos e Caprinos de Barrolândia e Região, além da parceria e apoio da empresa Cabanha Malu Dorper.

Palestras

O seminário contou com palestras sobre a viabilidade econômica para criação de ovinos, perspectivas de mercado da carne de ovinos e caprinos e a produção de ovinos a pasto. O diretor comercial do Frigorifico Clube do Cordeiro do estado de São Paulo, Beno Zaterka, falou sobre mercado, onde a procura supera a oferta, principalmente no Sudeste do país. Nesta região, o consumo de caprinos e ovinos é relevante e o preço pago ao produtor supera em mais de 20%, o valor pago na carne bovina.

Segundo o assessor executivo da Seagro, Claudio Sayão Lobato, produzir carne e leite de caprinos e ovinos no Tocantins é um bom negócio. O quilo da carne, pronta para o consumo, é comercializada a preços que variam de R$ 14,00 a R$ 15,00. O litro do leite de cabra, in natura, é vendido a preços que variam de R$ 2,50 a R$ 3,00. “Hoje a maior dificuldade da cadeia de ovinocaprinocultura é a falta de frigoríficos para o abate, porque existe o mercado e as condições ideais de criação”, completou Lobato. O pecuarista Anatalio Dias Silva, do município de Araguaína, foi um dentre os mais de 30 participantes do Seminário. O interesse é conhecer mais sobre a ovinocaprinocultura e as condições de mercado. “Tenho um vizinho que já cria e fiquei interessado, pois atualmente só trabalho com gado de corte, mas pretendo acrescentar mais uma atividade na minha propriedade, e esta é uma atividade que aparenta ser bem rentável”, completou.

 

fonte: ANCO

Dilma se alinha com ruralistas em questão de terras indígenas

A presidente Dilma Rousseff determinou que o governo pare de desapropriar terras agrícolas para a criação de novas reservas indígenas, segundo fontes oficiais, em uma decisão que tem profundas implicações para o país.

O Brasil destinou nas últimas décadas 13% do seu território para tribos indígenas. Vastas áreas adicionais, inclusive áreas valorizadas para a produção de soja, carne, açúcar e outros produtos, estão sob consideração para possíveis novas transferências. A política já foi considerada como uma das mais progressistas do mundo, mas nos últimos meses vinha causando crescentes atritos, pois milhares de agricultores foram expulsos das terras que cultivavam, em alguns casos havia décadas.

Dilma tem frequentemente favorecido mais os interesses ditos “desenvolvimentistas” do que as preocupações mais humanitárias, e agora acredita que a Fundação Nacional do Índio (Funai) foi longe demais na sua atribuição de determinar quais terras devem ser reservadas aos índios, segundo duas fontes governamentais graduadas. Sendo assim, para blindar os agricultores, uma nova diretriz do governo facilitará a expansão do cinturão agrícola do país, importante motor da prosperidade nas últimas décadas e fonte importante de matérias-primas para a China, o Oriente Médio e outras regiões.

As tensões entre agricultores e índios existem há anos, mas explodiram nos últimos meses, quando os dois grupos, por diferentes razões, pleiteiam mais terras. A Constituição de 1988 garante aos índios os “direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam” e diz que o Estado é responsável por demarcá-las. Sucessivos governos cumpriram isso, e as alocações foram muito mais generosas em termos de área do que nos Estados Unidos e na maioria dos outros países latino-americanos.

No entanto, até recentemente, a maior parte dessas terras ficava em áreas florestais pouco habitadas, principalmente na Amazônia. Algumas tribos se queixavam de serem excluídas de áreas valorizadas, sobre as quais tinham reivindicações históricas igualmente fortes. Enquanto isso, a agricultura brasileira cresceu fortemente nos últimos anos, em grande parte graças ao apetite asiático por matérias-primas. Só a área para o plantio de soja cresceu cerca de 40% na última década.

No mês passado, representantes indígenas invadiram o plenário da Câmara dos Deputados em protesto contra a Proposta de Emenda à Constituição 215, que transfere do Executivo para o Legislativo a prerrogativa de demarcar as terras indígenas. A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, anunciou que o Executivo está trabalhando para, dentro das limitações legais, esclarecer o processo de demarcação e que além da Funai serão ouvidos o Ministério da Agricultura, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Ministério das Cidades, entre outros órgãos.

Dilma estava ciente das disputas, mas a força de um protesto no mês passado em Mato Grosso do Sul a convenceu de que a situação havia alcançado um novo grau de urgência. O relatório subsequente dos seus assessores traçou um quadro claro de abusos por parte da Funai, segundo as fontes governamentais. Uma dessas fontes disse que Dilma ficou “indignada” de saber que antropólogos da Funai haviam recebido praticamente carta branca para determinar quais terras desapropriar, sem levar em consideração se essas áreas eram produtivas.

No Rio Grande do Sul, a Funai está estudando a desapropriação de cerca de 30 áreas, inclusive uma que descendentes de colonos europeus controlam desde 1872, segundo Irineu Orth, diretor da seção gaúcha da Aprosoja, entidade que reúne produtores de milho e soja. “Garanto a vocês que em 1988, quando o Estado foi informado de que deveria reservar terras para os indígenas, não havia um só índio na maioria dessas áreas”, disse Orth.

Os ministérios da Agricultura e Meio Ambiente, além da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), agora também se pronunciarão sobre as terras a serem demarcadas. “Precisamos escutar outras vozes”, disse a ministra-chefe da Casa Civil em uma turbulenta audiência no Congresso onde ela anunciou as novas medidas, em 8 de maio.

A sede da Funai, em Brasília, rejeitou repetidas solicitações para comentar o assunto, mas a associação dos seus funcionários divulgou nota na sexta-feira “repudiando” a atitude de Dilma e acusando a presidente de usurpar os direitos da Funai sobre a demarcação de terras indígenas. Uilton Tuxá, chefe da tribo Tuxá, na Bahia, disse por telefone que a decisão de Dilma sobre a Funai foi “um enorme passo atrás para os povos indígenas no Brasil”.

 

fontes: Reuters