Aplicativo ajuda a controlar verminose em ovinos

A Embrapa lançou o Sistema para Análise de Risco de Desenvolvimento de Resistência Parasitária a Anti-Helmínticos em Ovinos (SARA). Trata-se de um aplicativo que identifica os fatores na propriedade que podem aumentar a proliferação de vermes em ovinos e subsidia o criador quanto à melhor opção de manejo. É uma novidade em um sistema de produção que é afetado pelo alto índice de verminose.

Com o uso da ferramenta, técnicos e produtores recebem informações sobre práticas que podem ser melhoradas na propriedade, seleção de quais ovinos devem ser tratados, momento ideal para administração do vermífugo e produto mais eficaz para o tratamento dos animais – tudo de acordo com as particularidades da propriedade.

A aplicação dessas recomendações retarda o desenvolvimento da resistência parasitária nos rebanhos ovinos. De acordo com a pesquisadora Simone Niciura, isso acontece porque a tecnologia, além de ter impacto na melhoria do manejo, pode reduzir a utilização de medicamentos veterinários, com o uso racional. “Infelizmente, é comum encontrar em rebanhos vermes resistentes a qualquer vermífugo disponível no mercado. A resistência parasitária ocorre pelo uso frequente e inadequado desses produtos”, explica Simone.

A ferramenta, gratuita, on-line e de fácil utilização, vai auxiliar na tomada de decisões de criadores e profissionais da área. O software está disponível em http://tecnologias.cppse.embrapa.br/sara

Verminose ainda desanima produtores

Durante dia de campo sobre ovinos, realizado em agosto, na Embrapa Pecuária Sudeste, a queixa mais frequente entre os participantes foi em relação à verminose. O criador de ovinos Sigmar Miqueletti, de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, explicou que apesar de fazer o controle, sofre com a verminose ovina. Ele diz que é um problema contínuo na propriedade e os gastos são constantes. Muitos produtores desanimam com os prejuízos causados pela doença e acabam desistindo da atividade.

Os ovinos são susceptíveis aos vermes em qualquer faixa etária, o que pode acarretar atraso no desenvolvimento corporal, menor performance produtiva e reprodutiva e até levar à morte. Dentre os parasitas de ovinos, o Haemonchus contortus é o mais patogênico e de maior predominância e impacto na ovinocultura. O verme alimenta-se de sangue, causando anemia nos ovinos.

Em condições inadequadas de alimentação, o quadro pode agravar-se e ocasionar enfraquecimento do sistema imunológico, deixando os animais vulneráveis a outros parasitas ou doenças. No entanto, práticas simples de manejo do rebanho podem propiciar um controle eficiente de verminoses. O resultado aparece no ganho de peso dos animais e na redução de gastos do produtor com uso de vermífugos.

Pesquisas realizadas na Embrapa Pecuária Sudeste indicam que o controle parasitário deve ser feito com cautela. De acordo com a pesquisadora Ana Carolina Chagas, a manutenção de uma população parasitária baixa é desejável, diante do perigo do estabelecimento da resistência quando se objetiva a eliminação completa dos vermes dos ovinos.

O que ocorre frequentemente é o uso excessivo de vermífugos, elevando os gastos com medicamentos antiparasitários e um rápido estabelecimento da resistência na propriedade.

Algumas práticas são recomendadas pela Embrapa e podem auxiliar os produtores contra o perigo da resistência.

Segundo a pesquisadora, apenas os animais que realmente precisam de tratamento devem ser vermifugados. O produtor também deve evitar a troca frequente de vermífugos, pois essa prática aumenta a resistência em médio prazo. Antes da adoção de um vermífugo, é importante realizar um teste de eficácia para definir se o medicamento está funcionando na propriedade. A alimentação precisa ser adequada a cada categoria animal, porque uma dieta pobre em proteína pode deixar os animais vulneráveis à verminose.

O monitoramento constante do rebanho é uma prática eficiente. O método indicado é o Famacha, que consiste no tratamento seletivo dos animais. Somente aqueles que apresentam grau acentuado de anemia devem ser vermifugados. Nos ovinos que precisam ser tratados, o produtor deve administrar a dose correta do anti-helmíntico de acordo com o peso e a indicação do fabricante.

Na estação chuvosa, os ovinos podem ser monitorados a cada 10 dias e, na seca, a cada 20 dias ou mais. O intervalo dependerá principalmente do estado nutricional e da contaminação da pastagem em cada propriedade.

Muitos produtores ainda não aplicam o método, de acordo com o técnico agropecuário, Fabiner Paulossi, de Valinhos (SP). Para ele, é preciso disseminar as informações sobre as formas de controle aos ovinocultores.

O monitoramento contínuo tem muitas vantagens, como a fácil detecção de outros problemas, como bicheiras, bernes e feridas, além de permitir o tratamento dos animais antes que maiores prejuízos ocorram. Outra dica aos produtores é optar por raças mais tolerantes à verminose e manter as instalações sempre limpas, além de fornecer alimentação adequada para cada categoria animal.

Fitoterápicos: uma possibilidade

O uso de fitoterápicos para combater a verminose ainda é uma perspectiva. Pesquisas na Embrapa Pecuária Sudeste têm buscado extratos de plantas ou substâncias capazes de controlar os vermes, como alternativa aos antiparasitários que estão no mercado.

Os testes laboratoriais têm apresentado resultados promissores. Mas o desafio é conseguir o mesmo efeito contra os parasitas nos animais. “Ainda não obtivemos sucesso nessa etapa. Já avaliamos várias formulações. No entanto, observamos que para conseguirmos o efeito desejado, necessitamos de doses muito elevadas”, explica Ana Carolina.

Os trabalhos na Embrapa Pecuária Sudeste começaram efetivamente em 2008. “É uma pesquisa que leva anos. Partimos de um grande número de extratos de plantas, até selecionarmos os com grande potencial. Mas, muitas vezes, os extratos com grande potencial são tóxicos para os animais. O desafio é fazer com que o fitoterápico mate o verme e não cause nenhum efeito maléfico para o ovino”, conta a pesquisadora.
Em relação à resistência dos vermes aos fitoterápicos, Ana Carolina acredita que ela deve ocorrer de maneira mais lenta em comparação aos antiparasitários tradicionais. Os fitoterápicos são misturas de substâncias que vão agir sobre os parasitas de diferentes maneiras. “O parasita vai levar mais tempo para aprender a sobreviver”, espera a pesquisadora.

A disponibilização de um fitoterápico para uso dos produtores ainda deve levar alguns anos. Os pesquisadores estão confiantes. As pesquisas estão em desenvolvimento para a elaboração de uma fórmula capaz de controlar a verminose ovina.

Brasil ainda é importador de carne ovina

O sabor diferenciado e características como maciez e suculência têm chamado atenção dos consumidores e a demanda pela carne ovina aumentou, principalmente, para atender nichos de mercado nos grandes centros urbanos, como São Paulo. E apesar do crescimento da ovinocultura no País nos últimos anos, principalmente no Sudeste, a produção ainda não atende a demanda interna.

O Anuário da Pecuária Brasileira 2013 (Anualpec) registra que de 2002 a 2011 houve aumento da produção nas principais regiões: 23% no Nordeste; 54% no Norte; 56% na região Sudeste. A produção nacional é de 172 mil toneladas de carne por ano, abaixo das 204 mil toneladas consumidas anualmente no País, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos.

Comparando-se a outras carnes, o consumo não é tão alto, mas mesmo assim o País precisa importar carne ovina do Uruguai e da Argentina. O consumo per capita/ano é de 700 gramas, já o de carne bovina é de 37,6 quilos, segundo o Anuário da Pecuária Brasileira (Anualpec, 2007).

Para o presidente da Associação Paulista de Criadores de Ovinos (Aspaco), Bruno Garcia Moreira, o aumento da demanda está relacionado à qualidade da carne oferecida hoje e à profissionalização do setor frigorífico, que tem atraído os consumidores com cortes especiais.

O chef de cozinha português Faustino Duarte Jerónimo está no Brasil há 10 anos. Para ele, a demanda triplicou nos últimos cinco anos. Quando introduziu a carne ovina no cardápio de seu restaurante, em São Carlos (SP), ele cozinhava dois quilos por semana, e havia sobras. Atualmente, prepara cerca de seis quilos semanais de pernil, carré e alcatra. Um obstáculo para o aumento da oferta de carne ovina no restaurante é a dificuldade para encontrar fornecedores. O chef diz que não consegue comprar mais de 50 quilos por mês.

Para Bruno Garcia, o aumento da disponibilidade dessa carne no País passa pela organização da cadeia produtiva e pela definição de políticas públicas que incentivem o produtor a investir na ovinocultura. O produtor Gustavo Ferreira, do Núcleo de Criadores de Ovinos de Araçatuba e Região, de São Paulo, considera que o aumento da produção também depende de maior dedicação e conhecimento técnico sobre como criar ovinos nas condições tropical e subtropical. Para ele, muitas pessoas envolvidas com atividade apoiam-se em recomendações de outros países, com culturas e clima diferentes do Brasil, principalmente da região Sudeste.

Uma dificuldade importante é o elevado índice de desistência de produtores, sobretudo pelos problemas de sanidade dos ovinos. Segundo a pesquisadora Ana Carolina Chagas, da Embrapa Pecuária Sudeste, a verminose ainda é um dos grandes desafios da ovinocultura e um grave problema sanitário. Os prejuízos dos produtores vão desde gastos na compra de vermífugos até a perda de animais.

Soro de leite de vaca pode ser usado na terminação de cordeiros

O soro do leite de vaca é uma alternativa eficaz, e mais barata, para alimentação dos rebanhos de ovinos no Ceará. É o que comprova o trabalho que pesquisadores da Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral, CE) têm feito na região de Morada Nova, distante 167 km de Fortaleza.

De acordo com a pesquisadora Luciana Shiotsuki, o soro é um subproduto rico em proteína, muitas vezes descartado pela indústria leiteira, mas a sua utilização na dieta dos cordeiros pode reduzir os custos de produção. “Esta proteína é fornecida para equinos, suínos e bovinos de leite mas poucos a utilizam para alimentação de ovinos”, explica.

A inclusão de soro na dieta dos cordeiros participantes do 7º Teste de Desempenho de Ovinos Morada Nova, proposta pelo pesquisador Marcos Cláudio Pinheiro, tem demonstrado excelentes resultados que estão sendo apresentados nesta semana, no encerramento do evento, entre os dias 28 a 30 de janeiro. Os pesquisadores estão comparando os benefícios de se utilizar uma dieta à base de ração de milho, sorgo, ureia e feno de capim tifton – considerada cara para a região Nordeste – e os ganhos obtidos com a utilização do soro do leite de vaca.

Outro diferencial desse 7º Teste em relação aos anteriores é a realização do exame andrológico por meio da coleta de sêmen dos cordeiros. Ao final do teste, além do certificado avaliando o potencial de crescimento, o animal será certificado pelo seu potencial como reprodutor.

Este ano, além de criadores da região de Morada Nova, participam do Teste de Desempenho, que teve duração de 100 dias, criadores do baixo Jaguaribe, Sobral, Icó e Crato. Os 15 primeiros dias foram dedicados para adaptação dos animais, o restante do período foi a prova efetiva, em que os animais foram pesados a cada 15 dias. Os cordeiros foram confinados em quatro baias contendo de 7 a 8 animais, onde receberam alimentação três vezes ao dia, de acordo com o peso do lote.

Patrimônio municipal

Os animais da raça Morada Nova são Patrimônio Cultural, Histórico e Genético da cidade de Morada Nova – CE, instituído por meio da Lei Municipal Nº 1.597, e existe um pedido para que sejam considerados também patrimônio histórico cultural do Ceará.

Os ovinos Morada Nova foram primeiramente encontrados naquela região e apresentam características importantes como a rusticidade (adaptados, portanto, à região semiárida), excelente qualidade do couro e alta prolificidade (apresentam maior número de cordeiros por parto).

Em virtude da inserção de outras raças exóticas no País, os ovinos Morada Nova chegaram perto de ser extintos. Atendendo a uma demanda dos criadores e visando à preservação genética, a Embrapa Caprinos e Ovinos iniciou um projeto para recuperação da raça, em 2007. Uma das ações é o trabalho de melhoramento genético participativo com os criadores da região, que envolve o teste de desempenho, realizado anualmente.

Embrapa apresenta experiências de desenvolvimento territorial no CNPA 2014

Experiências de desenvolvimento territorial na região Sul e no semiárido nordestino serão apresentadas pela Embrapa no IX Congresso Nordestino de Produção Animal (CNPA), que acontece de 11 a 14 de novembro, no Centro de Convenções Luís Eduardo Magalhães, em Ilhéus (BA). As iniciativas do Cordeiro do Alto Camaquã e da Rota do Cordeiro serão apresentadas, respectivamente, por pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul (Bagé-RS) e da Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral-CE) na programação de palestras magnas do Congresso, que terá ainda a presença do diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, Ladislau Martin Neto, que fará exposição sobre o futuro do desenvolvimento tecnológico da agricultura brasileira, na abertura oficial do evento, dia 11, a partir das 20 horas.

A experiência do Cordeiro do Alto Camaquã será apresentada por Marcos Borba, da Embrapa Pecuária Sul, no dia 12, às 9 horas. O projeto propõe estratégias e ações de desenvolvimento territorial, estimulando o crescimento regional de forma sustentável, com objetivo de promover e estimular a pecuária familiar, que conta com uma forma de produção considerada ecológica na região. Iniciado em 2006, o projeto se desenvolveu e hoje está no processo de construção da marca coletiva Alto Camaquã, estampada em produtos locais, como carne de cordeiro, artesanato em lã e couro, atividades turísticas, entre outros.

Também no dia 12, a partir das 10h30, os pesquisadores Evandro Holanda e Octávio de Morais, da Embrapa Caprinos e Ovinos, apresentam o caso do programa Rota do Cordeiro, voltado para promoção do desenvolvimento em regiões do semiárido brasileiro que são tradicionais produtoras de caprinos e ovinos, mas ainda apresentam baixos indicadores socioeconômicos. O programa, desenvolvido em parceria da Embrapa com Ministério da Integração Nacional, Codevasf e parceiros locais, já atua no Ceará, Piauí e norte de Minas Gerais, mas deverá se expandir por outras regiões no semiárido. Com o apoio de técnicos, o programa tem contribuído para a transferência de tecnologias e capacitação de produtores em temáticas relacionadas às diversas etapas das cadeias produtivas de caprinocultura e ovinocultura.

A Embrapa também participará de simpósios técnicos que compõem a programação do CNPA. O III Simpósio Nordestino Sobre Conservação e Utilização de Recursos Genéticos Animais terá a participação dos pesquisadores Ângela Eloy e Raimundo Lôbo, ambos da Embrapa Caprinos e Ovinos, que abordarão, nos dias 12 e 13, respectivamente, trabalhos sobre tecnologias de reprodução de caprinos Moxotó para exploração sustentável dos rebanhos nativos e sobre retorno do investimento em programas de melhoramento animal.

O pesquisador Gherman Araújo, da Embrapa Semiárido (Petrolina-PE), falará sobre o potencial de uso de águas salinas na dessedentação e produção de forragens para ruminantes no semiárido, no  XV Simpósio Nordestino de Alimentação de Ruminantes, no dia 13. Também no dia 13, Roberto Giolo, da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS), apresenta palestra sobre produção animal com benefícios ambientais em sistemas silvipastoris, no  II Simpósio Nordestino de Forragicultura e Pastagens.

Ainda no dia 13, outras experiências da Embrapa serão apresentadas no II Simpósio Nordestino de Produção de Não Ruminantes e no Simpósio Sobre Apicultura e Meliponicultura do Nordeste. No primeiro, a apresentação será sobre boas práticas de produção na avicultura de postura, com a pesquisadora Helenice Mazzuco, da Embrapa Suínos e Aves (Concórdia-SC). No segundo, a exposição é sobre o projeto Jandaíra, voltado para conservação da abelha jandaíra no Nordeste brasileiro, com o pesquisador Bruno Souza, da Embrapa Meio-Norte (Teresina-PI).

O IX Congresso Nordestino de Produção Animal é promovido pela Sociedade Nordestina de Produção Animal (SNPA) e Universidade Federal do Recôncavo Bahiano (UFRB), com apoio da Embrapa e outras instituições. Mais detalhes sobre a programação do evento em: http://www.cnpa2014.org/programacao.asp.

Estudo mapeia situação das pastagens no Brasil

O Brasil tem cerca de 172 milhões de hectares destinados a pastagem, com diferentes níveis de produtividade que em geral são desconhecidos mesmo no próprio setor de agronegócios. É o que aponta estudo sobre a qualidade das pastagens brasileiras feito pelo Laboratório de Processamento de Imagens e Processamento da Universidade Federal de Goiás (UFG) em parceria com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE).

Em um ano de trabalho, que não envolveu pesquisas de campo, a equipe do geógrafo Laerte Ferreira, da UFG, compilou bases de dados do IBGE e outras fontes, além de imagens de satélite e análises de indicadores como índices de vegetação e evapotranspiração de grado bovino.

Segundo o estudo, que avaliou dados dos últimos 14 anos e considerou apenas áreas de, no mínimo, 25 hectares, 45% da área de maior concentração de atividade pecuária no país – que compreende grande parte do Centro-Oeste, sul da Amazônia, oeste de Minas, Tocantins, Maranhão e oeste do Nordeste – são de baixa produtividade de pastagem.

Segundo Ferreira, isso não quer dizer que essas pastagens são impróprias para pecuária, mas sim que, se os pecuaristas realizarem manejos adequados, seu uso poderá ser intensificado. “O maior desafio é identificar o uso da pastagem e aumentar a lotação bovina por hectare no território nacional”, afirmou.

A pesquisa indica que os pastos de maior produtividade estão no Cerrado, enquanto os Estados de Goiás, Maranhão, Tocantins, norte do Mato Grosso, sul do Pará e porções do Acre, Rondônia e o sul do Amazonas a produtividade é considerada média. “Agora sabemos que o bioma amazônico não tem pastagens tão produtivas quanto as do Cerrado mato-grossense e sul-mato-grossense e de parte do Estado de São Paulo, por exemplo”, destacou Rafael Fleury, assessor da SAE.

O agrônomo João Pedro Cuthi, de Mato Grosso do Sul, pondera que, apesar do potencial brasileiro de aumentar a intensificação do uso de áreas voltadas para a pecuária, a grande maioria dos pecuaristas brasileiros não tem acesso a assistência técnica para aumentar a produtividade. Ele citou um estudo da Embrapa que apontou que pelo menos 70 milhões são de áreas degradadas onde não se produz mais do que duas cabeças de gado por hectare.

A notícia é do Jornal Valor Econômico.

USDA prevê oferta menos folgada para a soja

Ainda que tenha confirmado o cenário traçado nos últimos meses, o relatório de oferta e demanda de grãos divulgado ontem pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicou para a atual safra 2014/15 um quadro um pouco menos “folgado” do que o previsto em novembro para a soja.

O órgão fez um leve ajuste para cima em sua projeção para a colheita global da matéria-prima, agora calculada em 312,81 milhões de toneladas (quase 10% mais que em 2013/14), mas também elevou sua previsão para a demanda. O saldo dessas mudanças foi uma pequena queda dos estoques finais mundiais, mas as 89,87 milhões de toneladas estimadas ainda representam um expressivo incremento de 35% na comparação com o ciclo anterior.

O USDA manteve sua projeção de um recorde de 107,73 milhões de toneladas para a colheita nos EUA, recém-concluída. Mas ajustou para 47,9 milhões de toneladas (quase 1,1 milhão a mais que em novembro) o cálculo para as exportações, o que reduziu os estoques finais do país para 11,16 milhões de toneladas – quase 2,5 vezes mais que ao fim da safra 2013/14.

Assim, a tendência é que os EUA voltem a liderar a produção e as exportações globais do grão, já que a safra 2014/15 do Brasil (em fase final de plantio) foi mantida em 94 milhões de toneladas, ante 86,7 milhões em 2013/14, e a previsão para os embarques caiu a 46 milhões, abaixo das 46,83 milhões da temporada passada. O USDA manteve em 74 milhões de toneladas a expectativa de importação da oleaginosa pela China – quase 66% do total global.

Quanto ao milho, o USDA reduziu de 51,01 milhões para 50,75 milhões de toneladas a projeção para os estoques de passagem nos EUA, contrariando analistas, que acreditavam em uma elevação. Ainda assim, o volume é 61,6% superior ao do fim do ciclo passado. Já a estimativa para os estoques globais cresceu de 191,5 milhões para 192,2 milhões de toneladas.

O USDA também elevou a perspectiva para a colheita mundial de milho, frente ao mês passado, de 990,32 milhões para 991,58 milhões de toneladas – 2,3 milhões de toneladas acima do ciclo anterior. O plantio da safra 2014/15 do grão está em andamento no Hemisfério Sul, enquanto a colheita está praticamente encerrada no Norte. Em relação aos EUA, maior produtor mundial de milho, o órgão manteve a projeção em 365,97 milhões de toneladas, um novo recorde (3,43% à frente de 2013/14).

Para a América do Sul, o USDA também manteve a projeção para colheita e exportação de milho do Brasil, em 75 milhões e 19,5 milhões de toneladas, respectivamente. O destaque ficou por conta da Argentina: o órgão cortou em um milhão de toneladas a estimativa de produção, para 22 milhões de toneladas, e de exportação, para 12 milhões.

Também na contramão do que o mercado esperava, o USDA elevou a estimativa para o estoque global de trigo ao fim de 2014/15 em 1,03%, ante novembro, para 194,9 milhões de toneladas. A produção mundial do cereal foi estimada em 722,18 milhões de toneladas, avanço de 2,32 milhões ante novembro – e 7,41 milhões acima de 2013/14.

Presidente Dilma promete ampliar parceria com setor agropecuário

A presidente da República, Dilma Rousseff, destacou o fortalecimento do governo no diálogo com o agronegócio e prometeu ampliar a parceria com o setor agropecuário em seu segundo mandato, a partir de 1º de janeiro, com participação ativa dos produtores rurais. “Quero a CNA ao meu lado, preservada sua autonomia e independência. (…) No novo mandato que se inicia, o produtor não será apenas ouvido ou consultado. Mais do que isso, quero o produtor rural tomando decisões junto comigo, participando do governo e atuando diretamente na definição de nossas políticas”, ressaltou.

Esta manifestação da presidente foi destaque em discurso durante a cerimônia de posse da Diretoria da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que terá a senadora Kátia Abreu à frente da entidade pela terceira vez, com mandato até 2017. Em seu pronunciamento, Dilma Rousseff afirmou à senadora que “a parceria está apenas começando” e que as duas estarão “mais próximas do que nunca”. Disse, ainda, que há uma série de prioridades para resolver em seu segundo mandato, que contribuirão para o crescimento do setor agropecuário.

“Não faltarão condições nem recursos adequados para continuarmos expandindo a produção”, reiterou. Entre as questões prioritárias, a presidente citou o financiamento para médios produtores, a universalização do seguro agrícola, medidas para setores específicos, como café, cana-de-açúcar e laranja, entre outros, a modernização e inovação tecnológica, a expansão da produção de matérias-primas de fertilizantes, a ampliação da capacidade de armazenagem e o redesenho do mapa de escoamento da produção brasileira.

Sobre a questão da logística e da infraestrutura, Dilma Rousseff reafirmou a necessidade de melhorar as rodovias, mas de aumentar os investimentos em ferrovias e hidrovias. Neste contexto, uma das principais bandeiras será a implantação de canais de escoamento no Arco Norte, acima do Paralelo 16 Sul, dando ao Brasil uma capacidade de transporte “compatível com a produção”. Em relação aos fertilizantes, a presidenta ressaltou a necessidade de se reduzir a dependência dos insumos importados.

Quanto ao seguro rural, comprometeu-se a trabalhar de forma “sistemática e determinada” para sua universalização. Dilma Rousseff também fez vários elogios à senadora pela sua capacidade de trabalho, definindo-a como uma liderança de convicções firmes e uma “lutadora incansável por um segmento muito importante para o país”. E definiu sua presença na solenidade como um tributo à senadora e à CNA, que representam “um Brasil bem sucedido no agronegócio”.

A presidente destacou a evolução da produção ao longo dos anos, sem causar danos ao meio ambiente e abrir novas áreas. Lembrou que a área plantada no Brasil cresceu apenas 44% desde a safra 2001/2002, passando de uma colheita de 96,8 milhões no período para mais de 200 milhões de toneladas na safra 2014/2015, em 58 milhões de hectares. Desta forma, ressaltou que o país está dando a melhor resposta ao desafio de alimentar o mundo sem destruir o meio ambiente.

“Por meio do aumento da produtividade, estamos mostrando que é possível plantar, colher exportar e gerar riquezas sem abrir mão da proteção e da preservação do meio ambiente”. Este êxito, segundo a presidente, deve-se em parte ao trabalho de instituições de pesquisa como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), às universidades e àqueles que defendem a agropecuária “em todas as esferas”.

Neste contexto, ela salientou que a bandeira da produtividade e da preservação ambiental “está na mão de todos”: produtores, trabalhadores rurais, ambientalistas, também o governo que “não pode discriminar quem gera alimentos e divisas para um Brasil comprometido com a segurança alimentar do seu povo”. E creditou à ação da CNA avanços como o aumento do crédito para o médio produtor, investimentos na pecuária de corte e agricultura de baixo carbono, além de ações voltadas para a assistência técnica e extensão rural, entre as quais a criação da Agência Nacional de Assistência Técnica e extensão Rural (Anater).

As informações são da Assessoria de Comunicação CNA

Nova diretoria da CNA, presidida pela senadora Kátia Abreu, é empossada

Empossada nesta segunda-feira para um novo mandato à frente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a senadora Kátia Abreu destacou os avanços do setor agropecuário, hoje responsável por 23,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e lembrou que o país tem peso no cenário econômico internacional. “Apesar das dificuldades da hora presente, o Brasil está entre as 10 maiores economias do planeta”, afirmou em seu discurso.

A solenidade de posse da nova diretoria eleita para o período de 2014 a 2017 contou com a presença da presidente da República, Dilma Rousseff, do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, além de autoridades do Judiciário, governadores, presidentes de federações de agricultura e pecuária dos estados, de sindicatos rurais, e de empresas do agronegócio.

À plateia que lotou o auditório da sede da Confederação em Brasília, a presidente da CNA lembrou que manter a posição de destaque do Brasil e do agro exige investimentos em infraestrutura, garantias de segurança jurídica e superação de velhos paradigmas que alimentam a ação predatória de grupos ideológicos, à direita e à esquerda. “Esses grupos desservem o interesse geral. Agem como os que hoje, de forma desrespeitosa e à margem da lei, invadiram o prédio da CNA. Não veem a árvore, nem a floresta”, afirmou.

Falando dos avanços da agropecuária, a senadora Kátia Abreu ressaltou a importância da interlocução estabelecida com o governo federal e da parceria da CNA com o Congresso Nacional em torno de projetos de interesse do setor. E agradeceu à presidente Dilma Rousseff por ter sido “a primeira chefe de governo a se dispor a entender e atender a agenda do agronegócio, para além dos condicionamentos político-partidários”.

Também enalteceu o papel do Congresso Nacional que, com o apoio do governo, aprovou o novo Código Florestal em 2012, após 15 anos de discussão, e a nova Lei dos Portos, que vai facilitar, entre outros pontos, os investimentos de capital privado em infraestrutura portuária.

Ao citar as obras de infraestrutura para o escoamento da produção agropecuária brasileira, destacou as iniciativas que estão sendo tomadas para viabilizar o transporte de cargas por meio das hidrovias. E brincou com a presidente Dilma Rousseff, relatando que ouviu “de uma pessoa muito importante aqui presente” que nos próximos quatro anos será a vez das hidrovias. O transporte por este modal é considerado fundamental para o escoamento da safra de grãos produzida acima do Paralelo 16, que corta o Centro-Oeste. Com o embarque das cargas pelos portos do Norte e Nordeste, será possível encurtar em até cinco dias o trajeto até à União Europeia e à China, principais destinos das exportações do agronegócio brasileiro.

Indagada pelos jornalistas sobre a importância da presença da presidente da República na cerimônia de posse da nova diretoria da CNA, a senadora Kátia Abreu deixou claro que o setor não está atrás de benesses e nem de proteção do Estado. “Nós só queremos as condições e os mecanismos para continuar crescendo. Queremos apenas levar aos governos os interesses que são do país. O que for bom para o Brasil é bom para o agronegócio”, finalizou.

As informações são da Assessoria de Comunicação CNA.

Estoque global de cereais será o maior em 15 anos, prevê FAO

O crescimento mais acelerado da produção do que do consumo global de cereais deve levar a um estoque de 628,4 milhões de toneladas ao fim da atual temporada 2014/15, o maior volume desde o ano 2000, indicou relatório divulgado ontem pela FAO, braço da Organização das Nações Unidas para agricultura e alimentação.

A entidade confirmou a previsão de novo recorde na colheita mundial de cereais em 2014/15, com um total de 2,532 bilhões de toneladas, alta de 10 milhões de toneladas em relação ao previsto em novembro e de 7 milhões ante o ciclo passado. O consumo, por outro lado, deve somar 2,464 bilhões de toneladas no ciclo que se encerrará em 31 de agosto de 2015, apoiado principalmente na demanda da pecuária por ração. Com isso, a relação estoque-uso deve passar a 25,2%, 1,7 ponto percentual acima de 2013/14 e o maior patamar em 13 anos.

A FAO justificou a perspectiva do recorde de produção em função das colheitas abundantes na Europa e da safra recorde de milho nos EUA – que deve totalizar 366 milhões de toneladas, 3,5% acima de 2013, o recorde anterior. Na categoria de grãos forrageiros, em que o milho representa quase 80% do total, a expectativa é de uma produção global de 1,311 bilhão de toneladas em 2014/15, seguida por trigo (724,9 milhões) e arroz (495,6 milhões). Para a América do Sul, a estimativa é de uma produção de 181,4 milhões de toneladas de cereais, 0,1% acima de 2013. Desse total, 100,9 milhões de toneladas devem vir do Brasil.

O comércio mundial de cereais, por sua vez, tende a recuar 17,7 milhões de toneladas na atual temporada, na comparação com a passada, para 338,5 milhões de toneladas. As vendas de grãos forrageiros tendem a cair 6,8%, a 148 milhões de toneladas. Já a expectativa para a comercialização global de trigo é de 150 milhões de toneladas, queda de 4,6%, com importações menores de Brasil, México, China e países do norte da África. Para o arroz, a FAO estima um volume de 40,5 milhões, recuo de 0,74%.

O relatório da FAO também alerta que a insegurança alimentar está piorando em alguns países devido a conflitos civis, condições climáticas adversas e ao surto de ebola. Nas contas da entidade, 38 países estão em risco de insegurança alimentar (incluindo 29 na África), três países a mais que o registrado em outubro.

O surto de ebola desencadeou “um dos maiores choques nos setores agrícola e alimentar do Oeste da África”, disse a FAO, tendo em vista que o vírus começou a se espalhar quando as lavouras estavam sendo plantadas e se expandiu ao longo do ciclo de cultivo, especialmente na Guiné, Libéria e em Serra Leoa. O problema provocou elevações nos preços de importantes alimentos na região, caso do arroz e da mandioca, lembrou a organização.

A notícia é do Jornal Valor Econômico.

Reunião Anual ABSI.

Está marcada para o dia 06 de dezembro as 8:30 am a reunião de associados da ABSI.

Na ocasião serão anunciadas as mudanças para o ranking nacional 2015.

Todos os sócios da ABSI estão convidados, a reunião acontecerá no parque de exposições de Salvador.

EXPOBRASIL 2014 a Maior Exposição Nacional de Raça do Brasil

O estado de Pernambuco pode se orgulhar, realizamos a maior exposição nacional de raça do Brasil, forma 748 animais em julgamento durante os dez dias da ExpoBrasil 2014.

A organização e estrutura do evento foi um dos destaque que contou com a organização da APECCO e apoio da Sociedade Nordestina de Criadores.

Numa tenda de 1200 metros quadrados mais de 40 expositores e centenas de criadores e publico visitante puderam apreciar os melhores ovinos do Brasil. Para Rodrigo Orzil, jurado da ExpoBrasil e Diretor Técnico da ABSI os avanços genéticos nos últimos 12 meses permitiram afirmar que essa foi a melhor nacional já realizada pela ABSI desde a sua criação. “A qualidade e homogeneidade dos animais apresentados nunca tinha sido observada antes. Os criadores estão de parabéns!”