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Compacto de preços ovinos Janeiro 2020
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Opinião: Chegou a vez da carne de cordeiro!
Nos últimos meses com a grande valorização da arroba do boi, que chegou a passar da casa dos R$230, os preços das carnes dispararam. E segundo especialistas, não há previsão para os valores começarem a reduzir. Ainda mais com a proximidade das festas de final de ano. Somado a isso, outras proteínas aproveitaram o embalo e a lei da demanda, e já apontam alta, como é o caso das carnes de frango e suínos. Vale destacar também a alta nos preços dos peixes, isso causado principalmente pelo problema de vazamento de petróleo que chegou ao litoral brasileiro.
Diante desse cenário, mais do que nunca chegou a hora do consumidor brasileiro dar uma chance para a carne de cordeiro! Culturalmente muitas pessoas diziam que o limitador para o consumo da carne de cordeiro no Brasil era o preço elevado, porém ao analisar o crescimento do mercado de carnes premium (com picanhas bovina passando de R$ 100,00/kg), o novo comportamento dos consumidores, que estão buscando mais qualidade na proteína, e o comparativo de preços na gôndola entre o cordeiro e a carne bovina, esse argumento começa a perder força.
Ao comparar a média de preços, nos principais supermercados do estado de São Paulo, da proteína bovina com a ovina, vemos que picanha de cordeiro está abaixo do preço médio da picanha bovina. E o carré francês, considerado o corte mais nobre e mais caro do cordeiro com praticamente o mesmo preço de uma picanha premium ou do filet mignon. A costela de cordeiro chega até a bater o preço da bovina em um dos estabelecimentos. E o pernil e paleta, cortes tradicionais, com preços abaixo maminha bovina.
Não chegou a hora de dar uma oportunidade para carne de cordeiro? É comum conhecer pessoas, que mesmo com alto poder aquisitivo, não tenham experimentado ou não tenham costume de consumi-la no dia a dia, independente do preço dessa proteína. Inclusive, segundo a Embrapa, 12% dos brasileiros nunca provaram carne ovina, ou seja, 25 milhões de pessoas. Isso quer dizer que as outras 185 milhões de pessoas já provaram pelo menos uma vez. O que temos que fazer é que essas pessoas que provaram em alguma situação esporádica ou sazonal coloquem a carne no seu dia-a-dia.
A carne de cordeiro é uma das proteínas mais saudáveis do mercado. É rica em ferro, cálcio, potássio, proteína, zinco, niacina e vitamina B. Sua carne apresenta todos os aminoácidos essenciais ao funcionamento do organismo humano. Além disso, a maior parte da gordura é do tipo mono ou poli-insaturada, que reduz o LDL, popularmente conhecido como colesterol ruim (sem gordura saturada).
O resultado é uma carne de digestão fantástica. A carne do cordeiro, ao contrário do que muitos pensam, é considerada uma carne magra. Seus baixos teores de colesterol e gordura saturada tornam esta proteína uma excelente alternativa para atingir os anseios de consumidores cada vez mais preocupados com a saúde.
Além de tudo isso, ela é extremamente versátil, e por isso eu não tenho dúvidas que ela pode estar no dia a dia do brasileiro. Com uma peça de pernil de cordeiro, por exemplo, é possível fazer diversos pratos, desde um ragu para massas, uma lasanha com pernil desfiado, filés de pernil grelhados, estrogonofe com pernil em cubos até uma incrível coxinha de cordeiro.
Identificação rápida de casos de fotossensibilização no rebanho
Feridas na pele, inchaço da face, falta de apetite, inquietação ou apatia em bovinos, ovinos ou caprinos podem ser sinais de fotossensibilização, também conhecida pelo nome popular de requeima. A doença atinge ruminantes em geral, principalmente, no início das chuvas. Os prejuízos vão desde o gasto com tratamento, diminuição da produção de carne ou leite e até a perda de animais. A detecção precoce aumenta as chances de cura.
A sensibilidade exagerada da pele à luz solar pode ser primária, causada por plantas que têm um princípio que provoca a lesão diretamente na pele, ou secundária, quando o fígado é lesionado por toxinas.
O mais comum nos animais é a forma secundária ou hepatógena. Nesse caso, o fígado deixa de desempenhar seu papel de filtragem e desintoxicação. Quando as substâncias tóxicas não são eliminadas, passam a se acumular na pele. Com a incidência da luz solar, ocorre a fotossensibilização.
Nos bovinos, a doença pode atingir especialmente bezerros próximos a desmama até os dois anos de idade. Em ovinos, os mais jovens, desmamados, são mais afetados. Animais de pele clara, sem pigmentação, têm propensão a desenvolver a requeima.
A maior parte do casos de fotossensibilização está associada, principalmente, ao consumo de pastagens de Brachiaria. A toxidade deve-se à presença de saponinas no próprio pasto.

De acordo com o veterinário Raul Mascarenhas, da Embrapa Pecuária Sudeste, de São Carlos (SP), os principais sinais clínicos da doença, que variam conforme a gravidade do caso, são ressecamento intenso da pele, especialmente nas regiões dos olhos, focinhos, orelhas, virilha, úbere e barbela; orelhas contorcidas e com as extremidades voltadas para cima; formação de crostas nos locais afetados, com descolamento da pele; diminuição do apetite e perda de peso. Ainda, outra consequência é conjuntivite bilateral. “A região da pálpebra é muito sensível. Os animais não conseguem lubrificar os olhos como deveriam, aí aparecem os agentes infecciosos oportunistas que causam a conjuntivite”, explica.
Ao detectar a fotossensibilização, o primeiro passo, segundo Mascarenhas, é retirar os animais da pastagem de Brachiaria e da exposição à luz solar. O tratamento pode ser feito com substâncias hepatoprotetoras para o fígado, administração de vitamina A para estimular a regeneração da pele e dos pelos, uso de corticoides, pomadas cicatrizantes e protetor solar nos locais da pele mais afetados.
Tratamento com protetor solar e vitamina A
Uma forma de controle da doença é diversificar as pastagens. A identificação rápida da requeima também contribui para a cura da doença, já que, dependendo da extensão das lesões na pele e no fígado, o quadro pode ser irreversível e levar o animal à morte.
A boa notícia é que os casos de fotossensibilidade são esporádicos. Mas vale a pena o produtor ficar atento.
Fonte Embrapa
Gisele Rosso (MTb/3091/PR) – Embrapa Pecuária Sudeste
Contatos para a imprensa pecuaria-sudeste.imprensa@embrapa.br
Estratégia de nutrição para fêmeas ovinas traz impactos produtivos

Uma estratégia de nutrição adequada para as fêmeas pode trazer impactos na produção de ovinos. As matrizes em gestação ou lactação são consideradas uma das categorias animais mais exigentes em termos de alimentação e o cuidado em termos de manejo nutricional pode influenciar diretamente na condição das crias e na produção de cordeiros.
Nesta quarta-feira (13), resultados de pesquisas sobre estratégia nutricional para fêmeas ovinas na Caatinga foram apresentados a estudantes de universidades e cursos técnicos profissionalizantes em um Dia de Campo na Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral, CE). Foi apresentada uma proposta de planejamento para nutrição em um ciclo que vai de setembro de um ano até setembro do ano posterior.
“Esta estratégia começa com estação de monta no início do período seco, para termos início da gestação ainda no período seco. Você coloca o terço final da gestação no período chuvoso e os cordeiros, que vão ser criados para depois serem desmamados, poderão aproveitar bem o período de chuvas, numa época em que a Caatinga tem mais diversidade de plantas e melhor oferta forrageira”, explicou o médico veterinário Marcos Cláudio Rogério, pesquisador de Nutrição Animal da Embrapa Caprinos e Ovinos.
Em experimentos realizados no campo experimental da Embrapa em Sobral (CE) e em propriedades rurais, as estratégias de acompanhamento nutricional das ovelhas mostraram resultados de impacto para sistemas de produção. Em um testes com diferentes níveis de suplementação (à base de milho, farelo de soja, torta de algodão e componentes minerais) com ovinos da raça Morada Nova, por exemplo, a frequência de partos gemelares (gestações de gêmeos) passou de 12% para 78%, conforme o percentual do suplemento na dieta foi variando.
As estratégias usadas nestes experimentos compõem o que é chamado de programação fetal na nutrição de matrizes: a estratégia que é aplicada com as fêmeas, mas que traz resposta para os cordeiros. “Se o animal, ao parto, tem escore corporal muito baixo, eu vou levar muito mais tempo e ter maior custo alimentar para recuperar”, reforçou a zootecnista Luciana Guedes, pesquisadora visitante da Embrapa Caprinos e Ovinos.
No Dia de Campo, os participantes tiveram informações técnicas sobre manejo nutricional para fêmeas ovinas, manejo reprodutivo e manejo da Caatinga para fins pastoris, além de conhecerem a aplicação da técnica microhistológica. Utilizada pela equipe da Embrapa Caprinos e Ovinos desde 2013, ela pode auxiliar na identificação mais precisa da composição da dieta dos animais em pasto.
Baseada nas análises de fezes de animais e de plantas coletadas na área de pastejo, a microhistologia pode identificar quais são as espécies forrageiras mais consumidas, permitindo, inclusive, uma determinação mais precisa de acordo com a categoria animal (entre elas, as fêmeas gestantes ou lactantes). “90% das espécies da Caatinga podem participar da dieta de caprinos e ovinos, mas é importante definir estratégias de nutrição mais adequadas, com um planejamento nutricional desde a gestação”, afirmou o zootecnista Wanderson Carvalho, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI), que desenvolveu pesquisa de pós-graduação com uso da técnica na Embrapa Caprinos e Ovinos. Ele dividiu com a zootecnista Andreza Andrade, pós-graduanda em Zootecnia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) a apresentação da estação.
Relação com manejos reprodutivo e de pastagens
Além das informações mais específicas sobre nutrição, os participantes do Dia de Campo visitaram estações em que viram resultados de pesquisas sobre manejo reprodutivo e manejo de pastagens e puderam observar relações diretas destas temáticas com o desempenho nutricional.
Os critérios zootécnicos e genéticos para seleção de reprodutores e fêmeas foram apresentados pelo médico veterinário Alexandre Monteiro e pelo zootecnista Kleibe Moraes, respectivamente analista e pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos. Eles reforçaram, porém, que a nutrição adequada também é fundamental para um melhor desempenho em termos de reprodução.
Alexandre demonstrou resultados do acompanhamento a uma propriedade rural cearense, que possuía carência em termos de organização e planejamento. Com as orientações da Embrapa, a taxa de gestação (prenhez positiva) chegou a subir de 28% para 85%, mas voltou a cair posteriormente. “Voltou para o estágio inicial porque eles não tinham reserva alimentar suficiente”, destacou ele.
Na outra estação, o zootecnista Éden Fernandes e o engenheiro agrônomo Roberto Cláudio Pompeu, respectivamente analista e pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, mostraram alternativas de uso sustentável do pasto da Caatinga, aplicáveis a partir dos meses de setembro, para regularizar oferta de forragem e garantir melhor qualidade nutricional.
O Dia de Campo teve participação de estudantes de Zootecnia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), de medicina veterinária do Centro Universitário Uninta e de cursos técnicos profissionalizantes das escolas Guilherme Teles Gouveia, de Granja (CE) e Francisca Neylita Carneiro Albuquerque, de Massapê (CE).
Adilson Nóbrega (MTB/CE 01269 JP) – Embrapa Caprinos e Ovinos
Contatos para a imprensa – caprinos-e-ovinos.imprensa@embrapa.br – Telefone: (88) 3112.7413
Mapa investirá R$ 7 milhões na produção de caprinos e ovinos no Nordeste
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo, irá investir R$ 7 milhões na inovação tecnológica na produção de caprinos e ovinos no Nordeste, uma das principais fontes de renda na região. As ações, no âmbito do programa AgroNordeste, serão executadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O Termo de Execução para implementação do programa AgroNordeste Agroindústria foi assinado nesta quarta-feira (11) pela ministra Tereza Cristina, pelo presidente da Embrapa, Celso Moretti, e pelo secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Mapa, Fernando Schwanke.
O programa vai trabalhar com polos produtivos de caprinos e ovinos da Bacia do Jacuípe (BA), Cariri Paraibano (PB), Sertão de Pernambuco (PE), Sertão dos Inhamuns (CE) e Vale do Itaim (PI), abrangendo uma rota de apoio tecnológico de mais de 3 mil quilômetros, além da montagem de 20 unidades de referência tecnológica.
A ideia é incentivar soluções inovadoras, junto com assistência técnica e cooperativismo, para a produção sustentável e agregação de valor aos produtos de carne, leite e derivados, contribuindo para o aumento da renda dos pequenos produtores, público-alvo do programa.
Segundo o secretário Fernando Schawnke, o desenvolvimento do semiárido passa pelo investimento na pecuária, principalmente na caprinovinocultura. Os recursos, de acordo com ele, serão importantes para aprimorar a produção na região e incrementar a renda dos produtores. O semiárido concentra 90% dos rebanhos caprinos e 60% dos ovinos do país, conforme dados da Embrapa.
Algumas das ações previstas são: implantação de estratégias para controle de parasitoses; capacitação de 550 técnicos e produtores locais em inseminação artificial de caprinos leiteiros, assessoramento nutricional e orçamentação forrageira e implantação de unidades com sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) para recuperação de áreas degradadas.
Os recursos aplicados nos polos produtivos permitirão ainda mais de 30 mil análises laboratoriais para controle de doenças, instalação de uma central para certificação da qualidade do leite e serviço de assessoria nutricional na elaboração das dietas dos rebanhos.
Outra meta é a integração entre agentes de pesquisa, técnicos de extensão e produtores rurais por meio de videoconferências, canais permanentes de diálogo e intercâmbio de informações.
* Com informações da Embrapa Caprinos e Ovinos
Informações à imprensa: imprensa@agricultura.gov.br
Embrapa Caprinos e Ovinos caprinos-e-ovinos.imprensa@embrapa.br – (88) 3112.7413
Ovinocultura: Preços devem seguir próximos aos verificados em 2019
De acordo com informações do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em 2020, as cotações tanto do cordeiro vivo quanto da carne devem seguir em patamares similares aos observados em 2019. Apesar de as perspectivas, de modo geral, serem favoráveis para o setor cárneos, o consumo nacional da proteína de origem ovina tente a ficar próximo e/ou até mesmo abaixo do registrado no ano anterior.
No geral, os casos de Peste Suína Africana (PSA) na Ásia devem continuar favorecendo as vendas externas das principais proteínas consumidas no mercado brasileiro (bovina, suína e de frango). No mercado doméstico, o consumo de carnes também pode ser firme, tendo em vista projeções indicando cenário macroeconômico favorável em 2020. De acordo com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) na segunda-feira, 13, a expectativa é de que o PIB nacional cresça cerca de 2,3% neste ano.
No entanto, para a proteína ovina, carne brasileira com o menor marketshare, espera-se ligeira redução de 0,4% no consumo de 2019 para 2020, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Assim, o consumo da proteína no Brasil deve passar de 550 gramas per capita em 2019 para 548 gramas em 2020. Vale lembrar que grande parte dessa demanda doméstica, por sua vez, deve ser atendida via importações, uma vez que a produção ainda é incipiente no Brasil, o que torna a carne ovina importada mais competitiva.
De modo geral, verifica-se que, mesmo com a economia dando sinais de recuperação, a concorrência com a proteína importada e a falta de uma ovinocultura industrial estruturada limitam reajustes expressivos nos valores do cordeiro vivo e da carcaça. Diante disso, consumidores têm dificuldades em absorver preços maiores e acabam migrando para outras fontes de proteínas mais tradicionais e com preços mais baixos.
Fonte Cepea ;


