Expo Sertânia de 24 a 27 de julho

Mais uma etapa importante do circuito Nacional da raça Santa Inês se inicia esta semana.

A Exposertânia faz parte do calendário de exposições oficiais da raça Santa inês com Chancela da ABSI.

os Julgamentos ficam por conta dos Jurados Antonio Valadares e Dalton Galvão.

 

Maiores informações: Arconcio (87) 9656-1251

 

Boas oportunidades para a caprinocultura

O baixo nível de consumo de produtos caprinos no Brasil, estimado em torno de 125 g por habitante/ano, aliado à crescente demanda por proteína animal de qualidade, com reduzidos teores de colesterol e de gorduras saturadas, e ainda o fato do nível de produção inspecionada ser insuficiente para suprir o mercado consumidor, são características que permitem vislumbrar boas oportunidades para o desenvolvimento da caprinocultura.

A esta demanda crescente de consumo, associa-se os grandes eventos desportivos, Copa do Mundo da FIFA 2014 e Olimpíadas de 2016, que geram uma expectativa de forte entrada de turistas no país. Este fluxo turístico, associado ao contínuo aumento do consumo nacional e internacional relacionado com as qualidades nutritivas da carne e dos produtos lácteos de caprinos, proporcionarão novas possibilidades ao setor nos próximos anos.

As características dietéticas, a maior digestibilidade quando comparado ao leite de vaca, a possibilidade de consumo por pessoas com dificuldades digestivas ou com alergias alimentares colocam o leite de cabra como um importante componente na indústria alimentar. Sua produção tem como foco principal a fabricação de queijos, mas uma porção relevante é comercializada como leite fluido, em pó ou congelado. Acrescente-se, ainda, o seu emprego como matéria prima na indústria de cosméticos.

Com a elevação da renda média da população, há o aumento do consumo de produtos de couro, em especial na indústria de móveis, calçados e no setor automobilístico.

A pele de caprinos é um importante derivado da pecuária de corte, sendo o produto com maior potencial de agregação de valor. Entretanto, ações devem ser estabelecidas para a valorização do produto, envolvendo desde práticas de manejo adequadas por parte dos produtores, até políticas de valorização do produto junto à indústria de curtumes.

Comércio

Existem grandes disparidades na estrutura de comercialização dos produtos oriundos da caprinocultura: no Nordeste brasileiro predominam a venda em feiras e o consumo de subsistência; e nas regiões Sul e Sudeste as vendas ocorrem em restaurantes, açougues e redes de supermercados.

Em grandes centros urbanos, especialmente do Nordeste, restaurantes se especializaram em carne de caprinos. A carne e o queijo de cabra são muito apreciados pelo setor gastronômico especializado, proporcionando pratos requintados, principalmente por meio da exploração de características regionais.

O leite de cabra é uma alternativa para aqueles que têm problemas digestivos ou que não toleram o leite de vaca.

Diversas instâncias governamentais, federal, estadual e municipal, vêm estabelecendo acordos com associações de produtores para compra de produtos caprinos, principalmente carne e leite, a serem fornecidos nos programas sociais de alimentação, gerando oportunidades para pequenos empreendedores e proporcionando novas possibilidades de segurança alimentar.

Assim sendo, identifica-se uma vasta rede de clientes potencias abrangendo frigoríficos, abatedouros, redes de supermercados, açougues, restaurantes e programas sociais de alimentação.

Comunidade rural de Sobral realiza feira da agricultura familiar com apoio da Embrapa

No último dia 31 de maio, os moradores da comunidade Pé de Serra Cedro, em Sobral (CE), realizaram a II Feira da Agricultura Familiar, onde comercializaram produtos variados de alimentação, vestuário e artesanato. O evento contou com o apoio dos projetos Sustentare, da Embrapa, e Cabra Nossa de Cada Dia, da Igreja Católica.

De acordo com o presidente da Associação de Moradores da comunidade, Francisco Chagas de Souza, a feira realizada no ano passado contou com seis bancas de vendas. Este ano, foram 12. “A nossa preocupação não é em aumentar o volume de bancas, mas em melhorar a qualidade dos produtos da feira”, explicou.

Além de roupas e artesanato, os agricultores comercializaram frutas, milho assado e cozido, mucunzá, paçoca, canja, carne de carneiro e espetinho de carne suína. Souza afirmou que evitaram produtos industrializados e priorizaram o que é produzido na própria comunidade. “Queremos valorizar as competências locais”. Durante o evento, ocorreu um momento cultural, com a participação de jovens da comunidades realizandoum número de dança.

Em comparação com a feira realizada em novembro de 2013, a deste ano foi considerada mais movimentada, com maior diversidade de produtos e recebeu moradores do Cedro, Jaibaras, Trapiá, que são comunidades próximas.

 

A expectativa é de realizar duas feiras anualmente, uma em junho e outra em novembro. “Queremos comparar os resultados da feira no final do inverno (período chuvoso) e no final do verão (época da estiagem)”, disse o presidente da Associação de Moradores.

Projeto Sustentare

A ideia de realizar a Feira da Agricultura Familiar do Pé de Serra Cedro surgiu a partir das atividades do Projeto Sustentare, cujas ações incentivam a valorização das competências existentes nas comunidades onde atua e a construção social de mercados, a fim de fortalecer a autonomia dos agricultores.

Para o pesquisador que lidera o Projeto Sustentare, Jorge Farias, “estão ocorrendo inovações socialmente construídas, baseadas na centralidade dos agricultores familiares. Entre elas destacam-se  a construção social de mercados – possibilitando novas práticas – e a formação de redes como estratégias para reconectar homem-natureza-sociedade, tudo isso orientado pelo paradigma do Desenvolvimento Rural Sustentável”.

“Destaco a feira como um dos resultados esperados no Projeto Sustentare”, afirmou o zootecnista Eden Fernandes, que também coordena ações no Projeto. “Isso se reflete na mudança nos agricultores do nível de participação funcional (grupo social externamente iniciado e dependente de facilitadores) para o nível interativo (grupo tomando o controle das decisões locais, sobre a feira por exemplo) tendendo para a automobilização”, explicou. Para ele, os agricultores se apropriaram do Sustentare, prova disso é a inserção da feira na rotina semestral da comunidade, como uma das formas de mercado que vem sendo socialmente construída para atender a uma das demandas identificadas no diagnóstico realizado no início do Projeto, que é a instabilidade da renda na comunidade ao longo do ano.

Adriana Brandão – MTb CE01067JP – Embrapa Caprinos e Ovinos                 (88) 3112.7487 –  caprinos-e-ovinos.imprensa@embrapa.br

Lançada linha de crédito para bem-estar animal

Produtores rurais, pessoas físicas ou jurídicas e cooperativas de produtores rurais podem inscrever projetos no edital para a linha de crédito da Inovagro, que visa melhorar o bem-estar animal nos sistemas produtivos. Os prazos para novos projetos vão até o dia 19 de maio. O edital está disponível por meio do site www.bndes.gov.br.

Os itens financiáveis envolvem a aquisição, implantação e recuperação de equipamentos e instalações; consultorias para formação e capacitação técnica; aquisição e instalações para captação, distribuição e tratamento de água para os animais; adequação do ambiente térmico das instalações (como sistema de ventilação); energizador, arame, postes, hastes, conectores de aterramento para instalação de cercas elétricas; insensibilizadores portáteis para abate emergencial nas fazendas e aquisição de geradores, entre outros.

A taxa de juros para condições de financiamento para a safra 2013/2014 é de 3,5% ao ano e o limite de recursos é de R$ 1 milhão por beneficiário/projeto para empreendimento individual e de R$ 3 milhões para empreendimento coletivo. O valor total do crédito para o Inovagro é de R$ 1 bilhão.

Esta linha de financiamento é um comprometimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a fim de fomentar as boas práticas agropecuárias e de bem-estar dos animais de produção, uma vez que estas práticas reforçam a imagem positiva do setor agropecuário brasileiro e trazem mais qualidade e segurança para o consumidor final.

O Inovagro é uma linha de financiamento para promover inovações e aplicação de novas práticas e tecnologias no setor agropecuário, sendo um estímulo significativo para o aumento da eficiência produtiva e aplicação de boas práticas agropecuárias.

 

Mais informações para a imprensa:

Assessoria de Comunicação Social do Mapa

(61) 3218-2461/2203

Rossana Gasparini

rossana.magalhaes@agricultura.gov.br

Agricultores do Semiárido aprendem a conviver com a estiagem

Os períodos de estiagem prolongada no Semiárido brasileiro provocaram durante décadas a perda de rebanhos e lavouras e também contribuíram para o aumento do êxodo rural. Essa realidade, no entanto, está em processo de mudança. Técnicas adequadas de manejo, além de acesso e estocagem de água, têm garantido a permanência de famílias que vivem da agricultura em suas terras.

A conservação de grãos para ração animal, a captação da água da chuva e a perfuração do solo para a implantação de cisternas e de poços artesianos são algumas das ações adotadas para garantir uma convivência melhor com o clima seco.

“Seca, nós nunca vamos conseguir viver sem. Tem é que produzir, cuidar dos animais [mesmo com a estiagem]”, diz a agricultora Francisca Carvalho, de 41 anos, conhecida como Kika. Ela vive desde 1999 em um assentamento na Chapada do Apodi, perto do município de Apodi, no Rio Grande do Norte. Cresceu na região e sempre conviveu com a estiagem

“A seca de 1993 foi terrível. Meu pai tinha muita criação de caprinos e perdeu tudo. Uma roladeira [estrutura formada por latas com capacidade para 18 litros de água cada] de seis latas tinha que servir para uma família de seis pessoas. Tinha que dar para beber, tomar banho, cozinhar e dar para os animais”, lembra ela.

Segundo Francisca, a situação começou a melhorar um pouco depois da época em que ela foi assentada. Em 2000, o assentamento ganhou quatro cisternas de 16 mil litros cada. Hoje, de acordo com ela, dos 23 assentados, 12 têm poços em suas casas. Depois, algumas famílias também tiveram acesso à cisterna-enxurrada e à cisterna-calçadão, estruturas que captam água da chuva e têm capacidade para 52 mil litros.

Na cisterna-enxurrada, a água armazenada é para consumo humano. Na cisterna-calçadão, para irrigar a produção. A implantação das cisternas ocorreu com a ajuda da organização não governamental Articulação no Semiárido Brasileiro (Asa). A entidade, que recebe recursos do governo federal e de outros parceiros, fornece material e orientação para construir as estruturas.

O acesso a algumas técnicas também foi importante para ajudar Francisca e outros agricultores a enfrentar a seca. “Quando chegamos, tivemos várias capacitações do governo e de movimentos sociais”, diz ela, explicando que os assentados aprenderam a utilizar a técnica do silo, que consiste em armazenar o sorgo em um buraco na terra. Assim, a ração é conservada para a alimentação dos rebanhos.

“Recentemente [em 2010, 2012 e 2013] teve pouca chuva e a produção caiu, mas não perdemos rebanho. A gente conseguiu colher sorgo e fazer o silo”, diz Francisca, cuja família cria e planta para subsistência e eventualmente vende a produção excedente.

No caso do agricultor José Ivan Monteiro Lopes, de 34 anos, os poços artesianos foram o caminho para salvar a lavoura e manter o rebanho de gado. Ele perfurou dois poços no fim de 2012, um deles com recursos próprios e o outro com ajuda da organização não governamental Diaconia.

“A diferença [do poço artesiano em relação a outras soluções] é que ele chega a quarenta metros de profundidade e tem muito mais água”, diz José Ivan, que vive em uma área rural perto da cidade de Tuparetama, em Pernambuco.

O agricultor conta que a forte estiagem em 2012 e 2013 o forçou a tomar a decisão de diminuir seu rebanho. De oito cabeças de gado, ele vendeu quatro com o intuito de ter menos animais para alimentar. Mesmo com as dificuldades, José Ivan acredita que a solução para os moradores do Semiárido é aprender a lidar com as particularidades da região. “[A seca] é um fenômeno natural, que ocorre em muitas partes do planeta. A gente não pode viver se mudando, de lugar em lugar.”

De acordo com dados divulgados pela Asa, o Semiárido abrange um território de 982,5 mil quilômetros quadrados. A área equivale a 18,2% do território nacional e a 53% da área do Nordeste. Seus moradores correspondem a 11% da população brasileira, o equivalente a 22,5 milhões de pessoas. Desse total, 14 milhões vivem na área urbana e 8,5 milhões são moradores da zona rural. Além disso, 1,5 milhão são agricultores familiares.

Embrapa e Emepa reforçam cooperação para pesquisas com caprinos e ovinos

Pesquisadores da Embrapa Caprinos e Ovinos visitaram a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa), nesta quinta-feira (22), com o objetivo de promover uma maior aproximação e reforçar a cooperação entre as duas instituições nas áreas de caprinos e ovinos. Em pauta, também foram apresentadas as pesquisas que vêm sendo desenvolvidas pela Emepa no projeto Agrocapri.

 

A equipe da Embrapa foi recebida por diretores e pesquisadores da Emepa, que fizeram uma breve apresentação sobre o modelo alternativo de sistema de produção que está sendo desenvolvido em prol da caprino e ovinocultura no semiárido nordestino.

Na reunião, os pesquisadores falaram um pouco sobre a nova estrutura que está sendo trabalhada dentro da Embrapa, que prevê uma formação de Redes de Projetos, com o intuito de discutir as possibilidades de integração entre as instituições.

Para o pesquisador da Embrapa, Olivardo Facó, há possibilidades de contribuição entre as duas instituições, porque existe uma complementaridade de esforços entre o que a Embrapa e Emepa vêm fazendo, como ainda de recursos humanos e de infraestrutura. “Ficamos muito satisfeitos com a abordagem que está sendo dada ao Projeto Agrocapri, em busca de se ter uma visão sistêmica do processo de produção de carne e leite de pequenos ruminantes, sempre com uma abordagem multidisciplinar das diversas áreas. Uma maior integração entre as instituições possibilitará gerar tecnologias que apontem alternativas para melhorar a renda e a condição de vida do produtor.

Estações Experimentais – Os pesquisadores da Embrapa visitaram a Estação Experimental Benjamin Maranhão, em Tacima, onde estão sendo trabalhados dois subprojetos que fazem parte do Agrocapri e conhecer outros trabalhos da Emepa.

Segundo o diretor técnico da Emepa, Wandrick Hauss de Sousa, essa reunião foi muito importante, pois mostra a importância do trabalho que a Empresa está desenvolvendo não só para a Paraíba, mas que terá abrangência também em todo o semiárido nordestino. “Nossas pesquisas não serão vista apenas como algo local, mas começa a ter uma aplicabilidade em outros estados que têm as mesmas condições do semiárido. Essa parceria com a Embrapa, só enriquecerá a caprinovinocultura e quem ganhará com isso é o produtor rural”, comenta Wandrick.

Em julho deste ano, diretores e coordenadores do projeto Agrocapri farão uma visita a sede da Embrapa Caprinos e Ovinos, em Sobral-CE, para apresentar os resultados e as ações de cada subprojeto e pontuar quais possíveis as colaborações entre as duas instituições visando o fortalecimento das áreas de caprino e ovinocultura.

Projeto Sustentare desenvolve comunidades rurais e fortalece autonomia dos agricultores

Francisca Rodrigues de Souza tem 52 anos, mora no Sítio Areias do Boqueirão, e hoje tem orgulho de dizer que é agricultora. Nem sempre foi assim. Aos 16 anos saiu da comunidade para trabalhar e estudar na cidade. “Sempre achei que minha vida era nas cidades. Apesar de ter nascido e me criado aqui, não dava valor ao trabalho que meus pais e meus avós faziam. Eu não sabia o que era agricultura”, explica. Antônia Leuda Rodrigues de Souza, da mesma comunidade, trilhou um caminho parecido. “Com 15 anos saí da agricultura para trabalhar nas fábricas. Nunca gostei da roça. Meu sonho era trabalhar em firmas e foi o que eu fiz”. Francisco de Assis Souza Silva, 35 anos, mora na comunidade Pé de Serra Cedro, é agricultor e cursa o 6º semestre na faculdade de Pedagogia. Tem planos de fazer especialização em meio ambiente ou educação no campo.

O que os três têm em comum? Moram em comunidades onde o Projeto Sustentare desenvolve atividades desde o início de 2012. E graças aos conhecimentos compartilhados com os técnicos da Embrapa, mudaram a visão que tinham do meio rural e da agricultura.

O Projeto, liderado pelo pesquisador Jorge Farias e pelo analista Éden Fernandes, ambos da Embrapa Caprinos e Ovinos, começa a apresentar resultados práticos e o principal deles, segundo Farias, é o desenvolvimento humano e o fortalecimento da autonomia dos agricultores.

Para o pesquisador do Departamento de Transferência de Tecnologias, Antônio Heberlê, o Sustentare é realmente um projeto diferenciado. “Ele aplica de fato metodologias participativas, o que não é fácil, porque o agir interativo requer uma programação mental diferente daquela a que se está acostumado a exercer na vida prática, competitiva, que força ao individualismo. Neste projeto, a essência da participação é respeitada”.

O projeto Sustentare desenvolve ações em três comunidades rurais do município de Sobral (CE), utilizando uma metodologia participativa que envolve seis passos (quadro abaixo). “Adotamos uma nova forma de fazer pesquisa, onde as ações são realizadas para os agricultores e com eles, levando em conta a realidade local”, afirma o pesquisador. Para Fernandes, a metodologia possibilita que os agricultores se tornem protagonistas e passem a ser sujeitos, não objetos. “É assim que a comunicação e a autonomia têm se tornado fundamentais no Sustentare, como diferenciais em metodologias participativas”.

Nas comunidades rurais onde atuam, os técnicos trabalham com realidades diferentes. “A própria metodologia consegue captar essas nuances que existem nos locais, tanto que as demandas são diferenciadas, mas convergem para temas afins: transição agroecológica (mudança da agricultura que desmata e queima para uma agricultura sustentável), construção social de mercados e manejo da agrobiodiversidade (espécies animais e vegetais existentes na comunidade). As estratégias adotadas são distintas, de acordo com a realidade de cada local”, conclui Farias.

A comunidade Pé de Serra Cedro tem um histórico de resistência e luta pela terra, que levou a uma organização maior e à formação de lideranças. Lá o trabalho é direcionado para o fortalecimento da autonomia dos agricultores e de sua capacidade de ação. Nos dois outros locais, Sítio Areias do Boqueirão e Sítio São Francisco, os moradores estavam num processo de individualismo, sem uma identidade local. As ações do projeto têm possibilitado o resgate das capacidades dessas pessoas.

No Sítio São Francisco, a liderança do agricultor Antônio Mateus se destaca. “Os agricultores viviam a mercê do líder para tomar as decisões. Hoje, depois de praticamente dois anos de trabalho, as pessoas começam a desenvolver sua individualidade e autonomia”, afirma o pesquisador.

Resultados práticos

Os técnicos da Embrapa iniciaram nas três comunidades um processo de transição da agricultura tradicional extrativista para uma agricultura sustentável. No Sítio Areias foi implantado um quintal produtivo, um roçado agroecológico, uma casa de sementes e feito o reflorestamento de uma mata ciliar degradada. No Pé de Serra Cedro também está sendo recuperada uma área degradada onde foi montado um sistema dividido em três faixas, fazendo uma comparação entre o cultivo tradicional, a incorporação de matéria orgânica e de leguminosas.

Outro resultado prático é a construção social de mercados que possibilita a inclusão socioprodutiva dos agricultores, antes dependentes dos atravessadores para comercializar seus produtos. Em novembro de 2013 foi realizada a primeira feira agroecológica no Pé de Serra Cedro com resultados acima do esperado. Para este ano, os agricultores estão programando duas feiras. “O projeto fortaleceu nossos conhecimentos sobre construção de mercados. Precisamos compreender melhor para quem estamos vendendo”, afirma o agricultor Francisco de Assis.

Os técnicos da Embrapa estão começando a utilizar a metodologia do projeto Sustentare em outras duas comunidades inseridas no Plano Brasil Sem Miséria do Governo Federal. “A atuação nessas localidades estava sendo conduzida de maneira tradicional com cursos, dias de campo e unidades demonstrativas. Nós iniciamos o trabalho com o objetivo de fortalecer a autonomia das famílias porque acreditamos que a pobreza é fruto dessa baixa autonomia. Produzindo conhecimento local, promovendo a transição agroecológica, acreditamos que vamos contribuir para a erradicação da extrema pobreza”, explica Jorge Farias.

O Projeto Sustentare deve encerrar as atividades no início de 2015. Mas, para os agricultores envolvidos, as ações nas comunidades não vão acabar. “Eles (os técnicos da Embrapa) chegaram para ensinar a gente a andar e o que a gente aprendeu é pra ficar, não é para acabar junto com o projeto”, afirma Francisca. Para Francisco de Assis, o desafio é mobilizar as comunidades que fazem parte do Sustentare para demandar outras pesquisas junto à Embrapa: “É pensamento nosso buscar outros conhecimentos por meio da pesquisa”.

Adriana Brandão (MTb 01067/CE)
Embrapa Caprinos e Ovinos
Telefone: (88) 3112.7503

Um silo pode ter duas silagens

A região periférica dos silos, representada pelo topo e pelas laterais superiores, de modo geral, apresenta algumas características, as quais são diferentes da região central do silo, tais como: I) A densidade (kg forragem/m3) é inferior e II) A quantidade de oxigênio proveniente do ambiente que penetra na massa é maior. Essas particularidades fazem com que a região periférica apresente perfil de fermentação diferente, pois muitos microrganismos necessitam dessas condições para sobreviver e também é a região que mais sofre perdas, principalmente aquelas relacionadas à deterioração aeróbia, a qual é caracterizada pelo intenso desenvolvimento de fungos.

Isso nos faz pensar que, em um silo nós podemos ter duas silagens. Ou seja, aquela localizada no centro, onde a fermentação ocorreu de forma satisfatória e o oxigênio não traz grandes efeitos negativos e a outra localizada na periferia, onde a composição química será inferior devido ao consumo dos nutrientes por parte dos microrganismos oportunistas e onde também poderá ter presença de moléculas consideradas inibidoras de consumo ou que podem afetar a saúde animal e humana, como é o caso das micotoxinas.

Portanto, um importante objetivo ao produzir uma silagem é fazer com que a região periférica seja igual ou similar à região central, de modo que poucas alterações nutritivas ocorram. Trocando em miúdos, necessitamos produzir uma única silagem, independente do local onde ela esteja no silo. Esta estratégia evitará que parte do alimento seja descartado durante o desabastecimento e que os animais tenham queda de desempenho por conta das condições encontradas na silagem periférica.

Para que isso ocorra, abaixo estão assinaladas algumas ferramentas de manejo que podem ser instaladas ao produzir a silagem e ao desabastecer o silo:

1. Potencialize a compactação da massa: Isso pode ser realizado por meio de máquinas/tratores pesados, além de permanecer compactando por um longo período de tempo após o silo ser abastecido. Em silos do tipo superfície, compacte-os no sentido longitudinal e transversal.

2. Em silos trincheira, evite ultrapassar a altura das paredes: Ao ultrapassa-las, toda a massa de silagem que está acima da parede terá menor densidade e maior contato com o oxigênio, o que ocasionará a situação relatada acima;

3. Potencialize a vedação: Procure utilizar filmes plásticos (lonas) que possuam barreira ao oxigênio. Somado a isso vede bem as laterais revestindo as paredes de silos trincheira com lona, associado a materiais pesados, tais como sacos de areia/brita;

4. Utilize adequada taxa de retirada: Quando o silo estiver aberto procure retirar fatias homogêneas ao longo da face de, pelo menos, 30 cm e 50 cm no inverno e no verão, respectivamente, de modo que o avanço da massa seja o mais rápido possível.

5. Sempre descarte silagem deteriorada: Ao perceber que a silagem está com odor e coloração alterados, descarte-a imediatamente. Silagem deteriorada deprime consumo e, em algumas condições mais severas pode levar o animal a óbito.
 autor desse conteúdoThiago Fernandes Bernardes    Lavras – Minas Gerais

Artigo extraído do farmpoint

Paraíba é destaque na produção de carne de cordeiro orgânica

Os produtos orgânicos livres de resíduos químicos estão cada vez mais valorizados pelos consumidores por trazer benefícios à saúde. Após as hortaliças e as frutas, as carnes de ovinos também têm certificação. O Instituto Fazenda Tamanduá, localizado no município de Santa Teresinha, realiza um excelente trabalho nesse segmento. Desse modo, uma parceria feita com a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa) está possibilitando realizar pesquisas para melhoria do sistema de produção orgânico.

A produção de carne de cordeiro orgânica é produzida a partir de um sistema produtivo ambientalmente correto e economicamente viável. Este sistema produtivo passa periodicamente por avaliação e certificação, que garante carne isenta de antibióticos e produtos que podem ser prejudiciais à saúde. Para isso, os ovinos precisam ser alimentados com pastagem livre de agrotóxicos e recebem medicamentos fitoterápicos.

De acordo com Pierre Landolt, proprietário do Instituto Fazenda Tamanduá, com a certificação também é possível ter o acesso ao mercado, padronização da qualidade e do produto. Entretanto, esse processo é um pouco complicado, porque a quantidade de inspetores credenciados no Nordeste é reduzida. Além disso, um dos fatores limitantes para produção de carnes de ovinos orgânicos foi a falta de frigoríficos apropriados na Paraíba. Porém, atualmente existe um trabalho desenvolvido com o serviço de inspeção municipal e o Ministério da Agricultura, que poderá ser uma solução para essa problemática.

Pierre Landolt destaca ainda o trabalho que a Emepa vem desenvolvendo na ovinocultura. “Temos a sorte de trabalhar com pessoas que têm conhecimento em ovinos há mais tempo do que eu. Com esse projeto, levaremos ao produtor nordestino um sistema de produção simples e adaptável a realidade local do semiárido”.

Certificação – Qualquer produtor pode conseguir a certificação. Para isso, é necessário entrar em contato com as empresas fiscalizadoras e seguir as exigências que são determinadas. Os principais órgãos certificadores no Brasil são o Instituto Biodinâmico (IBD), credenciado pela IFOAM e que tem seu selo aceito em mercados internacionais e a Associação de Agricultura Orgânica (AAO), que tem seu selo aceito apenas no mercado nacional. Ambos recebem a capacidade de certificação por delegação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, que realiza inspeções nas certificadoras para garantir o respeito às normas que foram estabelecidas.

Segundo o coordenador do projeto, Wandrick Hauss de Sousa, esse trabalho realizado em parceria com a Fazenda Tamanduá permitirá compartilhar o conhecimento que o instituto tem nesse segmento. “A Emepa tem uma grande experiência em produção de caprinos e ovinos, pesquisa e desenvolvimento, mas ainda não tinha trabalhado com produção orgânica. Essa parceria abriu as portas para uma nova linha de pesquisa, que vai dividir conhecimento com parceiros, pequenos e médios produtores. O Instituto entrará com a certificação e todo pacote tecnológico de produção de ovino orgânico, porque ele tem o abate e a comercialização de forma organizada”.

Para o presidente da Emepa, Manoel Duré, é uma preocupação do Governo do Estado desenvolver mais a produção orgânica, investindo cada vez mais em uma cultura agroecológica, visando o bem-estar e a saúde da população por meio da produção de produtos saudáveis.

As informações são da Emepa, adaptadas pela Equipe FarmPoint.