ES: com investimento milionário, novo frigorífico de ovinos e caprinos pode abater até 80 animais/dia

A região Sul do Espírito Santo passa a contar com um frigorífico para o abate de ovinos e caprinos. Inaugurado na manhã da última segunda-feira (19),  o Frigorífico “Sempre Amigo”, se localiza no distrito de Boa Esperança, em Vargem Alta. O local terá capacidade para abater até 80 animais por dia. O governador Paulo Hartung e o secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, estiveram no local para solenidade que marcou o início das atividades.

inauguração - frigoríficos ovinos e caprinos - espírito santo

O frigorífico teve a construção iniciada em agosto de 2015 e vai gerar cerca de 35 empregos diretos. Foram investidos R$ 4,5 milhões para a construção da estrutura. O registro junto ao Serviço de Inspeção Estadual (SIE) do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) foi concedido no último dia 7 de junho. O governador Paulo Hartung ressaltou o impacto socioeconômico com a geração de empregos, além de impulsionar no crescimento da região. Ressaltou a importância dos produtores capixabas avançarem na diversificação dos produtos para fortalecer a atividade econômica do agronegócio no Espírito Santo.

“Quando você diversifica, você estabiliza. Este é um evento que fortalece a diversificação em uma modalidade que necessitamos avançar em nosso Estado, que é a agregação de valor aos produtos. Precisamos ter a agricultura e a indústria agropecuária andando juntas para fortalecer os produtores capixabas”, disse o governador.

De acordo com o proprietário do frigorífico “Sempre Amigo”, Ronilo Altoé, o objetivo é atender criadores de todo o Estado, com um serviço de qualidade à população, devidamente regularizado. “Esse empreendimento é uma oportunidade de geração de emprego e renda para toda a região”, declarou Ronilo Altoé.

Para o secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, a iniciativa vai estimular e impulsionar a criação no Espírito Santo e será um marco importante para o mercado de ovinos e caprinos no Estado. “Cada ovino abatido gera quatro empregos, sem contar os empregos na criação. O abate de cordeiros e carneiros hoje é altamente clandestino. Temos um frigorífico autorizado para o abate. E agora, com o Sempre Amigo, ampliamos e abrimos mais uma oportunidade no Estado”, disse o secretário.

Segundo o diretor-presidente do Idaf, Júnior Abreu, esta também é uma conquista para os produtores da região. “Este é o primeiro estabelecimento registrado no SIE/Idaf na categoria de matadouro-frigorífico de ovinos e caprinos. Ficamos satisfeitos com a ampliação das plantas no Estado, gerando renda e oportunizando para que os procedimentos sejam feitos com a devida regularidade e contribuindo para a redução dos abates clandestinos”, disse.

No Espírito Santo, o abate de ovinos vem crescendo. Em 2014, foram 214 animais abatidos no Serviço de Inspeção Estadual (SIE), sendo que em 2015 o número aumentou para 461 e, em 2016, subiu para 658.

As informações são da Folha Vitória

Serviço que orienta nutrição eficiente de ovinos

Criadores de caprinos e ovinos contam agora com um serviço de assessoria com recomendações para orientar a alimentação racional de seus rebanhos. O Serviço de Assessoria Nutricional Remota para Pequenos Ruminantes (AssessoNutri), desenvolvido pela Embrapa, pode reduzir os custos de produção em até 20%, além de agilizar a análise nutricional por meio das fezes dos animais, oferecendo os resultados dos exames e recomendações nutricionais em até três dias úteis. Pelos métodos tradicionais, o tempo de espera pode chegar a 15 dias. O Serviço permitirá monitorar rebanhos e fornecer orientações e indicadores sobre a qualidade da pastagem e dos alimentos disponíveis para os animais.

O AssessoNutri será lançado no dia 6 de julho, às 11 horas, no XXI Seminário Nordestino de Pecuária (Pecnordeste), em Fortaleza (CE), na Arena da Feira de Produtos e Serviços Agropecuários montada no Centro de Feiras e Eventos. Lá estará disponível, para demonstração e realização de análises, o laboratório móvel, caminhão adaptado que irá até as regiões produtoras e fará análises de fezes dos animais por meio de equipamento de espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS).

No primeiro momento, o serviço contemplará apenas a região dos Inhamuns, que concentra os maiores rebanhos ovinos e caprinos do Ceará. Mas a ideia dos pesquisadores que o desenvolveram é ampliá-lo para um alcance nacional, por meio de acesso remoto via internet. O serviço já vinha funcionando, por meio de um projeto-piloto, no Município de Tauá (CE), naquela mesma região.

Uma primeira fase de coletas já foi realizada em abril, durante o projeto-piloto. Os resultados das análises irão gerar um primeiro boletim com orientações específicas para os criadores da região sobre a dieta dos animais, indicando se há necessidade de suplementação alimentar, entre outras informações. A ideia é emitir boletins mensais que serão distribuídos em casas agropecuárias, associações de produtores, entre outras instituições locais, além da divulgação em redes sociais.

“A nutrição dos rebanhos corresponde a até 75% dos custos de produção em alguns sistemas. Mesmo em sistemas extensivos, o custo também é representativo, embora esse não seja contabilizado pelos produtores”, destaca Diego Galvani, pesquisador da área de nutrição animal da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE). De acordo com ele, o maior desafio para implementação de um serviço nos moldes do AssessoNutri é a determinação do balanço de nutrientes, ou seja, a falta ou excesso desses na dieta de animais criados em sistemas de pastejo, principalmente aqueles que têm o pasto nativo como base alimentar. Esse obstáculo é contornado por meio da análise da composição das fezes dos animais.

Testes conduzidos pela Embrapa, juntamente com instituições parceiras no Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil, permitiram determinar os benefícios do monitoramento nutricional dos rebanhos e da adoção de práticas alimentares orientadas pelo AssessoNutri. Galvani cita experimento na Paraíba, estabelecido em parceria com a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa), que avaliou rebanhos durante todo o ano de 2016. Dentre os indicadores avaliados, o pesquisador destaca a redução de mortalidade de cabritos em 15% e o aumento na produção de cabritos por matriz [fêmea] em 26,8%.

“Nós estimamos que, para um produtor com um rebanho de 50 animais, a nutrição adequada por meio do acompanhamento nutricional pode trazer um acréscimo anual de R$ 2.400 à sua renda. No caso de Tauá (CE), por exemplo, estima-se que se 10% dos produtores locais usarem este serviço, haveria a possibilidade de injeção de R$ 1,4 milhão por ano na economia local”, destaca o pesquisador.

Rodada de Negócios

A ideia é ampliar o AssessoNutri por meio de acesso remoto na internet, em que um produtor em qualquer ponto do País possa solicitar o serviço, encaminhar amostras para um laboratório parceiro e contar com um técnico credenciado para fazer recomendações. Para viabilizar essa ampliação do serviço, além do lançamento, haverá também rodada de negócios no Pecnordeste, no dia 7 de julho, na qual clientes interessados, como associações, cooperativas e órgãos públicos, poderão encontrar informações sobre como utilizar o serviço e formalizar contratos de parceria.

De acordo com o pesquisador Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos, a empresa poderá oferecer pacotes de serviços para as instituições, assim como colocar o serviço à disposição para governos que quiserem adotar o AssessoNutri para colaborar com políticas públicas, que possam aumentar a eficiência de recursos alimentares e otimizar programas públicos.

As informações são da Embrapa Caprinos e Ovinos.

EXPORURAL – 12 a 20 de agosto

CIRCULAR EXPORURAL BAHIA 2017.

Copa Borrega Ao Pé Santa Inês

Ranqueada pela ABSI

 

 

Caro expositor,

 

No período de 12 a 20 de Agosto de 2017, se fará realizar a EXPORURAL BAHIA 2017 contemplando todas as categorias de caprinos e ovinos sendo ranqueada.

A EXPORURAL 2017 é chancelada pela associação Brasileira de Santa Inês – ABSI.

 

1 – Das vendas das baias e stands.

 

As vendas de baias e stands serão feitas por ordem de chegada a partir do dia 12 de junho de 2017, ou seja, o 1º a chegar na sede da ACCOBA será o primeiro a escolher o seu local de baias ou stands.

 

  1. – A Entrega dos documentos e as inscrições dos animais que irão a julgamento deverão ser feitas até o dia 09 de agosto de 2017.

 

  1. – Será cobrada uma taxa de R$ 5.00 (cinco reais) por animal inscrito para custear o ranking baiano de 2017.

 

  1. – Para efetivar as compras das baias o criador deverá esta rigorosamente em dia com a tesouraria da ACCOBA.

 

 

Tabela de Preços

 

TIPO
Baias de Ferro R$ 250,00
Stand R$ 1.500,00

 

2 – Da Escolha do Jurado.

 

  1. – A Escolha do Jurado, será feita mediante a votação dos Expositores que comprarem baias no período de 12 de junho a 14 de julho.
  2. – Será apenas 1 (um) jurado para todas as raças, o Jurado votado, deverá estar apto para julgar todas as raças.
  3. – A ACCOBA, fornecerá a lista dos Jurados aptos a realizarem o julgamento.

 

 

Programação EXPORURAL BAHIA 2017.

 

DATA DIA EVENTO
10 e 11/08/2017 Quinta e Sexta Chegada dos Animais
12/08/2017 Sábado Pesagem e Mensuração
13/08/2017 Domingo Livre – Dias dos Pais
14 a 18/08/2017 Segunda a Sexta Julgamento de Caprinos e Ovinos
17/08/2017 Quinta a noite Concurso Borrega ao Pé, Santa Inês
18/08/2017 Sexta Grandes Campeonatos da raça Santa Inês e Leilão
19/08/2017 Sábado Livre
20/08/2017 Domingo Encerramento

 

Data Base para Exposição 12/08/2017 – Data Base para o Concurso Borrega ao Pé 17/08/2017.

 

Contamos com a sua presença, a crescente participação dos criadores e/ou expositores, bem como dos seus familiares, irá engrandecer a nossa EXPORUAL BAHIA. Aguardamos você para realizarmos uma grande festa.

Atenciosamente.


Retenção de matrizes de ovinos está contemplado no Plano Safra 2017-2018

Anunciado na manhã dessa quarta-feira (07) em Brasília – DF, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Plano Safra para o exercício 2017/2018 traz uma novidade e o atendimento de uma demanda do setor da ovinocaprinocultura através da inclusão da retenção de matrizes de ovinos e caprinos.
A demanda foi apresentada ao secretário de Políticas Agrícolas, Neri Geller e ao próprio Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, pelo presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO), Paulo Afonso Schwab, que preside também a Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos e por outras entidades que pertencem a Câmara. “Era uma necessidade já há muito apontada pelo setor e hoje, graças ao empenho da nossa entidade, do importante trabalho da Câmara Setorial e o apoio do Deputado Afonso Hamm, temos atendida nossa solicitação” diz Schwab.
Os produtores de ovinos e caprinos poderão acessar através do Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural) que terá juros de 7,5% ao ano e contará com R$ 21,7 bilhões, com alta de 12%. Os médios produtores rurais terão à disposição R$ 18 bilhões em custeio e R$ 3,7 bilhões em investimentos.
Anunciado durante o discurso do secretário Neri Geller que ressaltou a avanço do plano safra deste ano em contemplar a cadeia produtiva de caprinos e ovinos “estamos contemplando um pedido de muitos anos do setor, incluindo a retenção de matrizes na ovinocaprinocultura que representa muito na geração de renda e na diversificação da produção”, disse.

Projeto cria política nacional para rebanhos de caprinos e ovinos

O Projeto de Lei 6048/16, do deputado Afonso Hamm (PP-RS), cria a Política Nacional de Incentivo à Ovinocaprinocultura, com o objetivo de desenvolver raças mais produtivas e aumentar a rentabilidade dos rebanhos. Segundo o texto, o setor abrange a criação de ovinos e caprinos com a finalidade de produção de carne, lã, couro e laticínios.

O deputado identifica a necessidade de aprofundar as pesquisas para o desenvolvimento de um “pacote tecnológico” bem definido para atender as necessidades de produção e do mercado consumidor. “Apesar dos diferentes planos de nutrição e métodos de criação já levantados pelos órgãos de pesquisa, como a Embrapa, são poucos os criadores no Brasil que usam processos mais intensivos de produção”, salientou Hamm.

Além disso, argumenta o autor, a falta de uma produção uniforme e a concorrência desleal com fornecedores clandestinos tende a inibir os investimentos por parte de frigoríficos especializados. Com isso, o mercado de consumo, hoje dependente da demanda de grandes redes de restaurantes e churrascarias, também é prejudicado.

São previstos, entre outros, os seguintes instrumentos da política nacional:

– associativismo, cooperativismo, arranjos produtivos locais e contratos de parceria de produção integrada;

– certificações de origem, sociais e de qualidade dos produtos;

– crédito para a produção, a industrialização e a comercialização;

– seguro rural.

Tramitação

A proposta será analisada de forma conclusiva pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

As informações são da Agência Câmara de Notícias.

CNA propõe melhorias ao senado do projeto de lei sobre a ovinocaprinocultura

Membro da Câmara Técnica da Frente Parlamentar de Apoio à Ovinocaprinocultura, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entregou, nessa terça-feira (18/10), ao senador Lasier Martins (PDT/RS), sugestões de melhoria do Projeto de Lei do Senado (PLS) 524/2015. Lasier é relator do PLS que propõe parâmetros para elaboração de políticas públicas nacionais voltadas ao desenvolvimento e ao aprimoramento da ovinocaprinocultura no Brasil, considerando lã, carne, pele, leite e seus derivados.

Presente no encontro, o presidente da Frente Ovinos, deputado Giovani Cherini (PDT/RS), destacou a importância da cadeia produtiva de caprinos e ovinos para o setor pecuário brasileiro. “O projeto, de autoria do senador Ronaldo Caiado (DEM/GO), surge como possível expectativa para retomada do crescimento da produção formal da carne ovina e caprina”, afirmou.

De acordo com o assessor técnico da Comissão Nacional de Caprinos e Ovinos da CNA, Rafael Linhares, o setor é favorável à proposta, mas sugere algumas inclusões e alterações no texto, para que toda a cadeia produtiva seja atendida. Dentre as sugestões, está a inclusão do tópico “desenvolvimento territorial”, no artigo 5º do texto original, que trata das políticas públicas nacionais voltadas ao desenvolvimento da ovinocaprinocultura. A introdução do item se dá pelas características particulares dos sistemas agrários, nos quais a cadeia produtiva está inserida.

Com relação ao Artigo 14º, sobre linhas de crédito do Plano Agrícola e Pecuário do Governo Federal, foi recomendada a inclusão dos itens retenção de matrizes e treinamento e capacitação dos produtores e consultorias para o sistema de produção. Segundo o assessor, a linha específica para retenção de matrizes ovinas e caprinas se justifica pelo aporte de dinheiro para capital de giro, evitando que o produtor se desfaça das fêmeas para quitar dívidas e prejudique a proliferação do rebanho.

O parecer foi recebido pelo senador Lasier Martins, que demonstrou interesse em acatar as sugestões. A Frente Ovinos aguarda posição do relator.

O documento foi desenvolvido pela CNA, em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO), a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos Leiteiros (ABCOL), Embrapa Pecuária Sul e Embrapa Caprinos e Ovinos e o Ministério da Integração Nacional (MI).

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Projeto cria política nacional para rebanhos de caprinos e ovinos

As informações são da CNA.

Caracterização dos sistemas produtivos de ovinos de leite no Brasil

A ovinocultura leiteira, atividade bem estruturada em países Europeus e Asiáticos, é um tanto recente no Brasil. Alguns dados demonstram que até a década de 80 existiam no país apenas algumas criações de ovinos da raça Bergamácia para a produção de leite. No ano de 1984, houve pequena importação de material genético da raça Lacaune, de origem francesa, para Minas Gerais, mas por algum motivo a atividade não se expandiu e a genética não foi multiplicada.

No ano de 1992, produtores gaúchos fizeram importações de material genético também da raça Lacaune, criando dois polos no Rio Grande do Sul, um na região de Porto Alegre e outro na Serra Gaúcha. Com essa genética trazida em algumas importações, originou-se a maioria dos rebanhos existentes até hoje no Brasil.

Anos mais tarde, de 2006 a 2009, foram introduzidos no Brasil animais, embriões e sêmen da raça East Friesian, de origem alemã, tendo sido esse material importado do Uruguai, Argentina, Nova Zelândia e Austrália. A raça Lacaune passou por ampla janela sem renovação do material genético, em função da interrupção das importações por questões sanitárias e somente no ano de 2012 alguns produtores conseguiram trazer novamente uma quantidade significativa de sêmen da raça Lacaune, com boa procedência genética.

Assim, o rebanho comercial de ovinos de leite está sendo trabalhado no Brasil apenas a 24 anos, sendo ainda a atividade incipiente quando comparada a outras atividades produtivas. Há também carência de informações técnicas oficiais e reais da atual situação da ovinocultura leiteira no Brasil e essa falta de dados técnicos e econômicos é um ponto crítico na atividade, tanto para produtores já estabelecidos, como para novos interessados.

Nesse mesmo sentido, considerando que a produção de ovinos pode ser uma importante opção para as pequenas e médias propriedades, o conhecimento de sua real dimensão e seu potencial econômico seria importante para uma possível inclusão em políticas públicas de desenvolvimento regional, principalmente nas regiões Sul e no Nordeste. Nesse sentido, o estudo de viabilidade econômica da produção e da industrialização é de extrema importância para identificar os gargalos no processo produtivo e a logística de distribuição e comercialização desses produtos.

Considerando esse contexto, a ABCOL (Associação Brasileira de Criadores de Ovinos de leite) em parceria com o LAPOC/UFPR está realizando um estudo a fim de caracterizar os sistemas produtivos de ovinos de leite em diferentes regiões do Brasil e discutir os fatores de produção mais importantes nas propriedades. O trabalho foi desenvolvido por meio de acompanhamento técnico e de coleta de dados durante todo o ano de 2015 em propriedades de todos os Estados brasileiros, onde há relatos da atividade. Esses dados foram coletados de forma presencial, sendo acompanhada pelo proprietário ou responsável.

Na Tabela 1 são apresentados os dados referentes a número de produtores, número de matrizes nos rebanhos, número de laticínios e produção anual de leite em cada um dos sete Estados, nos quais há relato da produção comercial de ovinos leiteiros.

Tabela 1: Distribuição dos rebanhos de ovinos leiteiros no Brasil.

Distribuição dos rebanhos de ovinos leiteiros no Brasil

O Estado do Rio Grande do Sul, pioneiro na produção comercial de ovinos leiteiros possui o maior número de rebanhos especializados, sendo sete rebanhos no total. A maioria desses produtores estão ligados à empresa comercial Casa da Ovelha, que além de ter produção própria, ainda realiza a compra do leite dos produtores da região, possuindo o segundo maior plantel de matrizes, em torno de 2000 animais.

O Estado também possui a segunda maior produção de leite do Brasil, com 270 mil litros por ano, ficando somente atrás do Estado de Santa Catarina que possui a maior produção, em torno de 315 mil litros por ano e o maior rebanho, em torno de 2400 matrizes. Santa Catarina possui apenas quatro produtores, sendo que dois deles possuem rebanho superior a 600 matrizes, sendo o Estado com o maior rebanho, mesmo tendo menor número de produtores.

No Estado de Minas Gerais, nos últimos anos, tem crescido bastante o plantel de animais especializados e o número de produtores. O Estado é o terceiro em rebanho com 950 matrizes e produção de 130 mil litros de leite por ano, mas com ótimas perspectivas de crescimento impulsionado pelo mercado consumidor crescente. A tradição leiteira e queijeira de Minas, também contribui para o potencial do Estado como produtor de leite e lácteos de ovelha.

O Paraná possui dois rebanhos e uma produção de 15 mil litros de leite por ano, sendo que uma particularidade das propriedades desse Estado é que, além da produção de leite, utilizam também a produção de animais de corte para viabilizar a atividade.

Os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal possuem juntos 11 rebanhos, em torno de 1050 matrizes leiteiras e produção anual de 110 mil litros. A particularidade dos três Estados é possuírem rebanhos pequenos, mas em crescimento, seguindo a expansão do mercado consumidor, que foi a peça chave que impulsionou os produtores a ingressarem na atividade. Esses Estados continuam tendo o maior mercado consumidor, totalmente favorável a produtos à base de leite de ovelha, o principal fator que atrai os produtores a ingressarem na atividade.

Nota-se, portanto, que a produção comercial de ovinos de leite teve início no Estado do Rio Grande do Sul há quase 25 anos, como mencionado anteriormente, e atualmente ainda mantém a maior concentração de rebanhos; porém, pode-se dizer que nesse período a atividade também se expandiu consideravelmente em outros Estados brasileiros.

Com relação aos laticínios, a Tabela 1 mostra que, de forma geral, o número de unidades de processamento está diretamente relacionado ao número de rebanhos nos Estados, indicando que a produção está totalmente atrelada ao beneficiamento, e que a unidade de processamento do leite geralmente fica localizada na propriedade produtora.

Na Tabela 2, pode-se verificar que, dentre 28 propriedades, 21 delas beneficiam o leite na mesma, com volumes variando de 2 mil até 90 mil litros de leite por ano. O volume de leite trabalhado é bastante variado entre as propriedades, desde produções totalmente artesanais de 2 mil litros de leite por ano até o beneficiamento de 90 mil litros, podendo ser este considerado um laticínio de grande porte, se tratando de leite ovino, e nas atuais condições de produção do país.

Tabela 2: Destino do leite das propriedades produtoras de ovinos de leite em diferentes regiões do Brasil.

Destino do leite das propriedades produtoras de ovinos de leite

Entre as 28 propriedades, seis realizam a venda do leite in natura e apenas uma delas beneficia quantidade parcial na propriedade e comercializa o excedente para outra unidade de beneficiamento. O volume médio de produção nas propriedades que realizam a venda do leite é maior que o das propriedades que realizam o beneficiamento, mas também se encontram volumes bem distintos, havendo propriedades com 15 mil litros por ano até propriedades de 220 mil litros por ano.

Outro ponto importante é entender a logística utilizada pelos produtores que comercializam o leite para outros estabelecimentos, muitas vezes distantes da propriedade. Produtores maiores, ou que estão próximos ao laticínio fazem a estocagem e o transporte do mesmo resfriado entre 2 e 4 ºC, tendo o cuidado para que esse leite seja entregue ao laticínio em até 48 horas após a ordenha. Produtores menores, ou que estão distantes do laticínio, devido à dificuldade de fazer o transporte a cada 48 h, realizam o congelamento do leite, e, quando há um volume significativo, fazem o transporte até a unidade de beneficiamento. É importante salientar que, no caso do leite ovino, por este ter características físico-químicas diferentes das do leite bovino, o congelamento permite posterior processamento em queijos, iogurtes e outros produtos, apenas tendo uma redução de 3 a 5 % no rendimento.

Com relação ao sistema de inspeção utilizado nos 24 estabelecimentos que processam leite ovino, quatro possuem o registro no Sistema de Inspeção Federal (SIF), dois possuem registro no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), cinco possuem registro no Sistema de Inspeção Estadual (SIE), quatro possuem registro no Sistema de Inspeção Municipal (SIM) e nove deles são considerados artesanais e estão em processo de adequação para serem inspecionados pelo sistema cabível.

Alguns produtores relatam dificuldades em adequar seus estabelecimentos a algum dos sistemas citados acima (SIF, SISBI, SIE) em função do baixo volume de leite produzido e à falta de legislação específica, inexistência de parâmetros físico-químicos e sanitários para o leite de ovelha, e pela própria desinformação dos agentes de inspeção. Mesmo assim a produção é rentável, dado o valor que pode ser agregado aos produtos.

Com relação às características das propriedades produtoras de ovinos de leite, encontra-se um fator de extrema importância, que é a área de terra destinada à produção. Na Tabela 3 estão relacionados o número de propriedades, número de matrizes e a produção média de leite no ano dos estabelecimentos alocados por área. Podemos ver que mais de 60 % das propriedades produtoras de ovinos de leite no Brasil possuem menos que 10 ha, rebanho médio de até 120 matrizes e produção anual em torno de 15 mil litros de leite. Esses dados demonstram que é uma atividade que pode ser praticada e viabilizada em pequenas propriedades, em função do valor agregado presente no leite e nos demais produtos, propriedades essas que muitas vezes seriam tecnicamente inviáveis para produzir com outros ruminantes.

Tabela 3: Característica fundiária das propriedades produtoras de ovinos de leite no Brasil.

Característica fundiária das propriedades produtoras de ovinos de leite

Pode-se ver que há poucas propriedades com mais de 50 ha, com rebanhos acima de 250 matrizes e produção de leite em maior volume, mas em geral a atividade é praticada em propriedades que diversificam suas produções, sendo a ovelha leiteira uma das atividades.

Na Figura 1 encontra-se a ilustração dos rebanhos classificados por número de matrizes, variando de propriedades menores com até 45 matrizes e propriedades consideradas grandes, com porte de produção de países europeus e asiáticos de maior tradição na atividade, com 1500 matrizes.

Figura 1. Rebanho de matrizes de ovinos de leite por propriedade.

Rebanho de matrizes de ovinos de leite

Com relação às raças, como citado acima, o rebanho ovino leiteiro atual tem sua base na raça Lacaune, mas nos últimos 10 anos também houve a introdução de material genético de animais da raça East Friesian. Nas propriedades produtoras de leite ovino (Figura 2), a raça Lacaune é encontrada em 27 delas, sendo que em 21 cria-se exclusivamente Lacaune e em outras 6 encontram-se rebanhos Lacaune e rebanhos East Friesian. Somente em uma propriedade estudada encontram-se apenas animais da raça East Friesian.

Figura 2. Raças de ovinos de leite presentes nas propriedades no Brasil.

Raças de ovinos de leite

Devemos salientar que em algumas das propriedades também há animais da raça Bergamácia e ovelhas da raça Santa Inês puras, ou cruzadas com Lacaune e East Friesian. Possivelmente encontram-se pelo Brasil outros rebanhos dessas raças, mas que não estão ainda sendo ordenhadas, e outros que ordenham experimentalmente.

Conclui-se que a ovinocultura de leite, apesar de atividade recente no Brasil, apresentou expressivo crescimento nos últimos anos, impulsionado pela procura por atividades rentáveis por parte do produtor e busca por alimentos de qualidade e saudáveis pelos consumidores. Porém, a necessidade de dados e estudos técnicos-científicos é de extrema importância para auxiliar os produtores que estão na atividade e para novos que irão iniciar. Assim pode-se criar uma base de informações e dados nacionais, reduzindo a necessidade de se usar dados adaptados de outras espécies ou de ovelhas leiteiras em outros países.

Agradecimentos

Agradecimento a ABCOL e aos produtores que fazem parte dessa associação e contribuíram com os dados de suas propriedades para o presente estudo.

OVINOS: CEPEA passa a divulgar preços do quilo de cordeiro de sete estados brasileiros

Ovinos é a mais nova cadeia produtiva a ser divulgada pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Os primeiros levantamentos deste mercado já vêm sendo realizados desde setembro de 2015, mas a divulgação de preços passa a ser feita no site do Cepea (www.cepea.esalq.usp.br) a partir deste mês.

Mensalmente, o Cepea levanta preços do quilograma do cordeiro vivo (com dentição de leite), junto a produtores de corte e de reprodução (cabanhas) e frigoríficos. Os dados são coletados em sete estados brasileiros: Bahia, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Assim como os outros Indicadores de preços, os valores de ovinos levantados pelo Cepea passam por tratamento estatístico, por meio do desvio-padrão, que tem como objetivo estipular limites mínimo e máximo de erro – ou seja, informações de negócios efetivos que estiverem fora do intervalo de dois desvios-padrão da média são excluídas. Após esse procedimento, valores médios simples do quilo vivo da carne de cordeiro são calculados para cada estado acompanhado pelo Cepea.

MERCADO BRASILEIRO – A cadeia de ovinos ainda é pouco estudada no País. Voltada à produção de carne e de lã, concentra-se no Nordeste e Sul brasileiros, embora esta última região tenha perdido representatividade. Em 2015, o IBGE apontava o rebanho nacional de aproximadamente 18,4 milhões de cabeças de ovinos.

O consumo de carne de ovinos tem aumentado, acompanhando o poder aquisitivo dos brasileiros. A demanda vem crescendo principalmente nos grandes centros da região Sudeste. Embora ainda não tenha se tornado um hábito nas refeições das famílias brasileiras, o produto está ganhando espaço em restaurantes e churrascarias. A produção brasileira de ovinos, no entanto, ainda não abastece o mercado doméstico com eficiência e qualidade. Um dos maiores problemas está relacionado à falta de regularidade da oferta, o que dificulta, por exemplo, a formação de escalas de abate. Em 2016, o Brasil importou aproximadamente cinco mil toneladas da carne de ovinos somente do Uruguai, segundo dados da Secex.

MUNDO – O maior rebanho efetivo de ovinos concentra-se na China, segundo a FAO/ONU. O Brasil ocupa a 18ª posição nesse ranking. O comércio mundial de carne de ovinos tem pequena participação sobre a produção global – grande parte do rebanho ainda é destinada ao consumo interno de cada país. Entre os maiores exportadores de carne ovina estão a Austrália e a Nova Zelândia. A China é a maior importadora.